Reifazedor

Resumo da Sessão - 27 de Setembro

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Rise of the pompadin.

A sessão começa com Katherine e Acharnor discutindo a situação dos saurians na tribo, quando um dos soldados da Primeira Companhia de Infantaria os avisa de que eles foram convocados por Kesten para tratar de um assunto de alta importância.

Chegando até o quartel da guarda, Kesten está em reunião com um paladino da ordem de Abadar, de nome Ivan Strelok. Strelok traz notícias de um culto de Gyronna operando em segredo dentro de Stagsfall, sacrificando crianças para sua deusa.

Com seu objetivo decidido, Katherine, Acharnor e Strelok saem a procura de Jean-Luc Benoit, o espião. Eles acabam encontrando Denat e Herbert primeiro, num pequeno bar. Jean-Luc por acaso também estava no bar, e aceita a missão de se passar por uma prostituta para descobrir informações sobre o culto.

Na manhã seguinte, Acharnor procura seu espião, que descobriu informações seguindo os traços de prostitutas mais experientes até encontrar alguém com conexões ao culto e ler sua mente. Jean-Luc informa Acharnor que o culto se reúne todas as noites de Moonsday para fazer seus sacrifícios.

Na mesma noite, uma Moonsday, o grupo segue até o lugar indicado, onde Acharnor desarma o alarme e surpreende as cultistas da deusa das bruxas no meio de sua pregação, acertando um virote surpresa na sua líder. Enquanto Denat, Animak, Herbert e Katherine fazem um trabalho rápido com as cultistas, Strelok avança diretamente contra a mestra do culto, usando seu smite evil. Durante sua investida, ele corta uma das mulheres em duas antes de chegar até a bruxa.

A batalha entre o paladino e a bruxa é intensa, Strelok acertando a mulher com suas manoplas com espinhos enquanto se defende das magias malignas da mulher, até que a luta finalmente acaba… Quando Katherine atinge a mestra do culto com um míssil mágico de sua varinha.

Pew pew, 760 xp pra cada um.

Com um bebê resgatado, o grupo sai do celeiro onde os cultos estavam sendo realizados, apenas para encontrar Melianse junto de Akiros os esperando. Akiros explica que precisa deles em Stagsfall imediatamente, porque segundo Tiressia, um exército de 100 trolls está marchando em direção a Ravnir. Em pânico, um conselho de guerra é formado.

Kesten lidera a evacuação das áreas rurais ao redor da cidade e manda cartas para Forte Leveton e Varnhold, pedindo o envio de tropas. Akiros tenta planejar uma estratégia para a batalha vindoura, com poucas esperanças.

No dia seguinte, Akiros bolou um plano que pode equalizar um pouco o combate: Mobilizando as forças de Ravnir para lutar com os trolls de dia, eles nulificam a sua vantagem natural por combater no escuro. O exército marcha ao sul e toma posições defensivas no alto de uma colina.

Os trolls finalmente estão de frente com o exército de Ravnir. Um emissário vem fazer a declaração de guerra, e diz que, sob comando de Hargulka, nenhum humano, elfo, anão ou outra raça ‘civilizada’ será poupado da punição de tentar colonizar as Terras Roubadas, e que Stagsfall servirá como exemplo. Apesar das tentativas de diplomacia de Strelok, os trolls estão resolutos em começar a batalha.

As duas linhas de fronte se misturam numa confusão de sangue e aço. Após perder sua vanguarda ao tentar manter sua posição, Akiros comanda que os exércitos assumam uma abordagem mais ofensiva contra os trolls. Usando sua posição vantajosa e seu treinamento contra esse tipo particular de inimigo, as Chamas de Ravnir viram o rumo do combate e aniquilam os trolls em poucos minutos, deixando apenas alguns sobreviventes que são logo exterminados pelos soldados em patrulha de campo.

De volta a Stagsfall, Akiros dá um ‘presente’ aos membros do conselho: Por ordem dele, os soldados conservaram um troll vivo, com todas as partes desnecessárias para falar cortadas fora. Strelok, único dentre os presentes que conhece a língua dos trolls, tenta interrogar o prisioneiro enquanto ele ainda está disposto a cooperar.

No fim, as únicas informações que são obtidas são que Hargulka é inflexível em seu objetivo de destruir Ravnir, e que enquanto ele continuar vivo, os trolls continuarão atacando. Com isso em mente, a Brigada Vermelha, agora com um paladino em sua companhia, decide que seu próximo objetivo deve ser infiltrar a base dos trolls e matar Hargulka.

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Resumo da Sessão - 20 de Setembro

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A sessão começa com Acharnor sabotando o portão para a vila dos saurians. Uma vez dentro da vila, Herbert facilmente derrota os dois guardas próximos ao portão. Não vendo nenhum movimento na vila propriamente dita, os membros da brigada vermelha assumem que os saurians estão escondidos em suas casas de terra.

Gritando em dracônico, Herbert tenta intimidar os saurians a entregar a criança capturada. Apenas um se prontifica para isso, dizendo que irá levá-los até onde a garota está. No caminho, ele explica que o ‘espírito do herói’ é o fantasma de um ancestral do rei atual, Vesket, chamado Stisshak. Stisshak faz demandas estranhas da vila, mas Vesket obedece suas ordens cegamente.

A criança de Ravnir foi capturada para servir de alimento na tribo, desprovida de carne devido a ação de trolls territoriais no sul. Stisshak porém proibiu que a criança fosse consumida e ao invés disso ordenou que os saurians a torturassem, em troca de proteção dos trolls. Entretanto, os saurians famintos consideram isso um desperdício, sem falar de uma maldade desnecessária.

Finalmente chegando até onde a menina estava aprisionada, pendurada com cordas sobre um fosso cheio de lagartos gigantes, o guia da brigada se oferece para soltá-la, mas é atingido no peito por uma azagaia lançada por um dos soldados de elite de Vesket, que o chama de traidor. Dá-se então uma batalha difícil entre os soldados de elite e seus dois crocodilos treinados e os membros da brigada.

Após a batalha, Herbert liberta a criança enquanto Katherine tenta cuidar do guia que foi ferido. Os saurians da tribo sugerem que a brigada vá embora de uma vez, antes que o rei descubra o que aconteceu e desconte sua raiva neles todos. Com a segurança da garota como primeira prioridade, Denat acha melhor seguir o conselho e partir em direção a Stagsfall.

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Resumo da Sessão - 14 de Setembro

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A sessão hoje começou com a divisão dos espólios do Hodag entre os membros da equipe. Após isso, a Brigada Vermelha seguiu ao sul, aonde encontraram a floresta dizimada e conseguiram ouvir sons de tropas marchando a distância. Após uma retirada estratégica, nossos heróis passaram a noite na floresta, e continuaram seguindo ao sul, até encontrar uma pequena vila.

O guarda nos portões da vila disse que se tratava de Hillton, um pequeno vilarejo submisso a Mivon. Por ordem do Lorde Prefeito de Mivon, as cidades na fronteira norte estão em alerta devido a presença intensificada de trolls e saurians ao norte.

Decididos a voltar a Ravnir, os membros do conselho dão as costas e retornam, mas no caminho, ouvem gritos de uma criança vindos de uma ilhota murada no meio do rio Murque. Seguindo em direção aos berros, eles conversam com um guarda saurian no portão, que Herbert intimida em dá-los informações.

Aparentemente, a criança foi capturada em Ravnir quando estava sozinha, e foi trazida para cá para servir de comida, mas por ordem do rei dos saurians, ela deve ser mantida viva e torturada para cumprir com as ordens do ‘espírito do herói’. Os membros do conselho não tem paciência pra isso tudo e resolvem invadir o vilarejo, e o guarda aciona o alarme para avisar aos outros saurians.

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Resumo da Sessão - 6 de Setembro

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A Brigada Vermelha continua sua jornada em direção a Varnhold. No caminho, eles param para acampar e Herbert fica de guarda durante a noite. Porém, no meio da madrugada, eles são acordados por um mamute curioso que se aproximou do grupo, completamente sem ser visto pelo pistoleiro. Passado o susto, eles voltam a dormir.

Na manhã seguinte, a viagem prossegue através de um pequeno vilarejo de fazendeiros e por uma passagem nas montanhas guardada dos dois lados por torres. Finalmente então nossos heróis chegam a Varnhold, onde eles prontamente dão meia volta e retornam pra casa, assim desperdiçando com sucesso estrondoso duas horas perfeitamente boas de sessão.

Porra.

De volta à Floresta Greenbelt, a equipe resolve explorar mais para o sul, encontrando um lamaçal as margens do lago Tuskwater. O lamaçal conta com vários fungos exóticos, e Katherine resolve que seria uma boa ideia ir coletá-los. Para surpresa de todos, ela é capturada pelos tentáculos de um monstro. Sim, outro. Dessa vez, um tendrículos, uma massa de cogumelos de 6 metros de altura. Depois de uma curta batalha, a criatura é morta e o grupo ajuda a remover Katherine de seu estômago. Como recompensa, os nossos heróis conseguiram recuperar 15 chacoalhos de Gozreh, um tipo de cogumelo raro que Elga Verniex gosta de usar para fazer chá.

Mais ao sul, a equipe começa a ouvir um canto desafinado e gutural. Ao seguir o barulho, eles se deparam com um gigante bêbado e aparentemente irritado. Como o gigante não os havia visto e nenhum deles conseguia entender sua língua, a equipe resolve ignorá-lo e seguir de volta para o norte.

Após dar a volta pelo lago Tuskwater, a Brigada Vermelha encontra uma cabana na floresta, onde eles falam com Stas, o último sobrevivente de um grupo de lenhadores de Ravnir. Stas explica que sua expedição foi atacada por um Hodag, um tipo de réptil gigante coberto de chifres ósseos ao longo de todo o corpo. A equipe promete encontrar e matar o Hodag, acreditando que esse possa ser o suposto ‘dragão’ de que os habitantes de Ravnir vinham falando.

Com a ajuda de Herbert, o grupo consegue achar a toca do monstro, e entram em combate. Apesar de Denat ficar seriamente ferido pelo combate, o Hodag finalmente é derrotado por um tiro de Herbert, livrando Ravnir do ‘dragão’.

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Resumo da Sessão - 30 de Agosto

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Eu disse pra vocês que ia fazer o resumo.

Nossa sessão começa logo após Katherine recuperar a estátua de Findeladlara das ruínas do Castelo Abandonado e entregá-la para Lily Tersken, que precisava dela para completar sua pesquisa sobre os antigos elfos da Floresta Greenbelt. Após isso, a equipe continua explorando o castelo, indo até a torre principal e recuperando uma antiga estátua de alabastro de uma elfa antiga e uma clepsidra finamente decorada dos quartos da Lady Dançarina. Os espólios foram transportados até uma carroça que a historiadora havia trazido para esse propósito, e os governantes de Ravnir expressaram sua relutância em dividir-se desses tesouros. Lily concordou que seria uma pena remover uma peça histórica como a estátua do local onde ela passou mais de 1000 anos, e apenas pediu que ela fosse bem cuidada. Quanto a clepsidra, ela é de uma construção mais recente, e provavelmente foi trazida pela própria Lady Dançarina quando ela se estabeleceu nas ruínas.

Ao retornar a Stagsfall, agora juntos do pistoleiro Herbert Pena, a Brigada Vermelha descobre que um sujeito metido a revolucionário está tentando espalhar a desordem pelo reino. Após localizar o cavalheiro de disposição rotunda, Denat o demole completamente em um debate e recupera a admiração do povo, enquanto o incitador deixa a cidade em silêncio.

No dia seguinte, com sua vontade de explorar recuperada, a Brigada Vermelha resolve partir em direção ao leste para explorar as terras próximas a Varnhold. No caminho, porém, eles são abordados por um Arbusto Errante. Na batalha, Denat acerta alguns golpes de sorte e Herbert prova seu valor para a equipe acertando-o com um tiro preciso de seu revólver, mas no fim a criatura é derrotada por uma das bombas de Katherine.

Com a confiança reafirmada após derrotarem seu odiado nêmesis, a Brigada Vermelha para para descansar um pouco antes de seguir sua viagem em direção a Varnhold.

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Resumo da Sessão - 21 de Maio

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A noite começa a cair em Candlemere, e contra os conselhos de seus aliados, Denat avança rumo ao templo. Chegando próximo, Acharnor ouve barulhos de passos com seus olhos de elfo e empurra seus aliados para o lado, tirando-os do caminho de uma procissão de cultistas fantasmas. Após se levantarem do chão e sacudir a poeira, os heróis avançam templo adentro.

O templo escuro está em ruínas. Escrito em um dialeto antigo de aklo nas paredes, estão o que Katherine conclui serem preces a Yog-Sothoth. Lana, com o auxílio de suas luzes dançantes, avança na direção da escuridão, com Denat e Acharnor logo seguindo.

Algo, no entanto, se apodera de Acharnor, que rapidamente saca sua espada e desfere um golpe contra Lana, que esquiva. Denat então o restringe, enquanto Lana tenta ‘exorcisá-lo’. O resto do grupo avança até os fundos do templo, onde encontram um altar com uma bacia de obsidiana sobre ele. Ao lado dela, há uma faca terrivelmente curvada. No fundo, no meio da torre, há um poço que parece não ter fundo, e após ele, uma escada que sobe até o próximo andar.

Denat examina a adaga, descobrindo que é mágica. Após resistir a seu efeito e identificar que, de fato, a adaga está amaldiçoada, ele displicentemente joga o item amaldiçoado no poço. Todos imediatamente sentem como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros e Lana confirma que a maldição da ilha foi quebrada. Inteiramente sem querer.

O grupo então explora os andares mais altos da torre, onde encontram o quarto de um cultista, ainda com seu diário, explicando melhor os eventos que ocorreram na ilha. Como é de praxe, nossos heróis pegam tudo que é de valor e/ou que não está pregado no chão e partem da torre.

Aproveitando que é noite e eles não pretendem voltar por um bom tempo, os conselheiros de Ravnir se dão ao luxo de mapear a ilha, o que toma boa parte da noite e da manhã seguinte. Durante esse tempo, eles encontram outro Fogo Fátuo, que é derrotado com muito mais facilidade agora que não está sendo beneficiado pela maldição da ilha. Nossos heróis então pegam a canoa que tinha sido emprestada pelos pescadores de Stagsfall e resolvem prestar uma visita a Elga Verniex.

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Contos de Ravnir - Uma Tribo

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Naquela manhã de Rova, soprava uma brisa gelada, e mesmo que o sol estivesse brilhando Jannes não conseguia sacudir o frio do corpo. O outono tinha aspecto de que ia ser pesado. O inverno então, ele preferia nem pensar sobre. No entanto, como sempre, lá estava ele, às cinco da manhã, na boca da mina. Como um relógio de corda, Jannes sempre chegava às cinco, sempre o primeiro.
Jannes era um sujeito que inspirava respeito, e não apenas porque ele era um supervisor da mina. Tinha 1 metro e 98 de altura, e quase tudo era músculo. Ele não falava muito com ninguém, nem gostava de sair com seus colegas para beber. Tinha também um tom de pele consideravelmente mais escuro do que as pessoas dessa região de Avistan estavam acostumadas. Obviamente, ele não tinha nascido por aqui, mas como ele era quieto, ninguém sabia de onde ele tinha vindo. Rumores, porém, haviam vários: Uns diziam que ele era um escravo escapado de Cheliax. Outros, que ele tinha sido um soldado em Andoran que cansou-se daquela vida. Também diziam que ele tinha sido um templário em Mendev e que fugiu para os Reinos Ribeiros com medo dos demônios, e seu deus o abandonou.
No fundo, ninguém sabia de onde o homem tinha vindo, mas todos sabiam que você não se metia com o supervisor Jannes. O sujeito levava o trabalho na mina muito a sério, e ainda por cima era irritado. Os mineradores ainda falavam sobre a vez que ele quebrou duas costelas de outro homem porque ele estava escondendo pepitas dentro da calça. “Esse ouro é de Ravnir.” Jannes havia dito para os outros depois que se acalmou um pouco. “Quem rouba da mina está roubando do povo.”
Jannes entrou no escritório dos mineradores para pegar seu equipamento. Sentado atrás de uma mesa no canto da sala, tomando um copo de café quente, estava Madoc, um velho anão mineiro, já aposentado, que hoje em dia administrava a mina.
“Dia, Jannes.” O velho disse. “Frio hoje, né?”
“Dia, chefe. Poisé.” O homem acenou com a cabeça enquanto pegava uma picareta e duas varas solares no canto da sala.
“Como vai a Nadia?”
“Bem, obrigado. A criança deve nascer em dois meses.” Disse o homem enquanto amarrava seus equipamentos no cinto.
“Primeiro filho, né? Foda.” O anão deu um longo gole no seu copo de café. “Sabe, você é uma exceção. A maioria dos mineradores daqui é solteirão.”
“É, eu reparei.”
“Quando um dos pobres coitados consegue se casar, eles vão trabalhar em alguma fazenda por aí ou algo assim. O pagamento é menor, mas não é tão arriscado, sabe? E você agora, com um filho a caminho… Sei lá, Jannes.”
“Minerar é tudo que eu sei fazer, chefe.” Ele respondeu concisamente.
“É, e você faz muito bem.” O anão passou a mão pela sua barba. “Então, eu preciso que você faça algo pra mim hoje. A gente está recebendo uns mineradores novos, e tem alguém que eu queria que você mostrasse a mina.”
“Hoje eu estou ocupado com a ampliação do túnel 3. Manda o Mervel cuidar disso.”
“Não, Jannes, tem que ser você. Você tem que treinar a supervisora do turno da noite.”
“Turno da noite?” Jannes se surpreendeu. “Não temos turno da noite. Quem nos nove infernos é louco o bastante para cavar de noite?”
“Kobolds.”


‘Era só o que me faltava.’ Jannes pensou enquanto a supervisora nova era apresentada aos outros mineradores. ‘Agora eu vou ter que cuidar de um maldito lagarto.’
“Jannes.” Madoc disse, trazendo até ele um tipo de réptil bípede, de escamas pretas e com não mais do que 80 centímetros de altura, coberta com um casaco de peles de coelho. “Essa aqui é Mipik. Ela veio altamente recomendada pela tribo Sootscale, e eu quero que você a treine para fazer seu trabalho no turno da noite.”
“Essa coisa é uma mulher?”
“Diabos, Jan, não seja rude!”
“Não, não, não é problema.” Mipik disse com um pronunciado sotaque dracônico. “Mipik entende.”
Jannes não conseguiu deixar de reparar, com suspeita, nos dentes afiados da kobold.
“Já perdemos tempo demais com isso.” Jannes empurrou uma picareta nas mãos de Mipik, que eram obviamente pequenas demais para usá-la de forma efetiva. “Se você vem, venha de uma vez.” Disse ele, se virando e caminhando para dentro do túnel.


Jannes andava pelos túneis escuros empurrando o carrinho de metal e segurando uma vara solar acesa com a outra mão. Para seu desgosto, Mipik vinha logo atrás, carregando com dificuldade a picareta exageradamente grande. Os dois já vinham descendo o túnel por cerca de 15 minutos até que Mipik quebrou o silêncio:
“Perdão, senhor Jannes, é?”
“Que foi?”
“É que chefe Madoc diz que senhor Jannes treina Mipik.”
“E daí?”
Mipik ficou quieta uns segundos, como se estivesse tentando lembrar as palavras certas. “É que senhor Jannes é quieto, então Mipik…”
“Ok.” Jannes a interrompeu. “Eu vou te treinar então. Primeiro você bate com a picareta na parede até caírem pedaços. Daí você enche o carrinho e volta lá pra cima. Pronto, fácil.” Ele disse, de forma rude.
“Ah sim! Mipik entende.” A kobold não entendeu a intenção do minerador. Jannes soltou um suspiro e continuou empurrando o carrinho por mais uns minutos antes de Mipik tentar começar uma conversa de novo:
“Senhor Jannes usa anel em mão esquerda. Mipik entende que senhor Jannis tem companheira?”
“Mhmm.”
“Que bom! E filhotes, senhor Jannes tem?”
“Não.” Ele respondeu curtamente. “Mas minha esposa está grávida.”
“Ah, muito bom.” A kobold acenou com a cabeça. “Mipik tem oito filhotes em tribo. Todos grandes. Muito orgulho. Filhote de senhor Jannes deixa ele muito orgulhoso também, Mipik deseja.”
Jannes soltou um resmungo baixo que poderia talvez ter sido interpretado como um ‘obrigado’.
“Ah! Ah! Senhor Jannes, espera!” Mipik gritou de repente. “Aqui, aqui!”
Jannes parou e virou-se rapidamente. “O que foi?”
A kobold estava apontando para uma mancha meio rosada na parede de pedra.
“É quartzo! Quartzo significa ouro!” Mipik soava animada. “Quase sempre.” Ela acrescentou.
Jannes soltou outro suspiro. “Muito bem, dona lagarto, mas hoje nós estamos cavando no túnel 3 que é mais uns 5 minutos a frente, então… O que você está fazendo?!”
Mipik levantou com dificuldade a picareta pesada sobre sua cabeça e acertou a mancha rosa com força, fazendo cair algumas lascas de pedra no chão.
“Mina de ouro, sim? Mipik minera ouro.” Ela disse, batendo na parede novamente.
Jannes ficou olhando por alguns segundos enquanto a pequena criatura cavava. Ele realmente não esperava que ela fosse conseguir balançar a picareta daquele jeito. Mesmo assim, no ritmo em que caíam lascas a cada golpe, levaria uma semana até que Mipik abrisse uma fenda na rocha.
“Certeza que tem ouro aí?”
“Sim, sim! Certeza!” Mipik bateu contra a parede de novo. “Quase.”
Jannes soltou outro suspiro e caminhou até Mipik, parando com facilidade a picareta com uma mão só. A kobold olhou para ele, um pouco de confusão em seus olhos amarelos.
“Eu ajudo então.” Jannes tirou a picareta de suas mãos e ela deu o que parecia ser um sorriso cheio de dentes pontudos.


No fim do dia, Jannes e Mipik saíram da mina com um carrinho cheio de pedaços de quartzo, uma boa parte deles cobertos com pequenos pontos dourados. Madoc os parabenizou por terem encontrado um veio de ouro novo, e depois que Jannes havia pendurado seus equipamentos no escritório, o anão lhe deu um tapa nas costas e disse:
“Viu? Vocês não fazem uma boa dupla?”
Jannes acenou com a cabeça, contrariado, e voltou para casa resmungando o caminho todo.


A chuva caía com força lá fora. Jannes entrou em casa falando palavrões, tentando tirar a grossa camada de lama escura que havia grudado em suas botas. Seu paletó cinza, a roupa mais cara que ele tinha, estava completamente encharcado.
“Jan?” Uma voz o chamou de dentro da casa. Era sua esposa, Nadia. Jannes imediatamente se arrependeu de ter xingado tão alto. “Como foi lá?”
Jannes soltou um suspiro. “Uma droga. Que bom que você não foi, Nasha.” Jannes pendurou seu paletó no gancho ao lado da porta. “Foi muito triste.”
“Como está a família do Devin?”
“Péssimos. Ah, Nasha, Amery estava chorando tanto! E tudo isso por causa de quê? 6 moedas de prata e um par de sapatos de couro.”
Nadia abraçou seu marido, colando sua cabeça junto ao peito do homem alto. Ele a envolveu com seus braços molhados e apoiou o queixo na cabeça dela.
“Jan, eu estou com medo.”
“Eu sei.” Jannes disse e beijou sua testa. “Vamos sair daqui. Vamos pra um lugar menos perigoso.”
“Pra onde, Jan?” Nadia perguntou, seu rosto ainda apertado contra o peito dele. “A gente não pode mais voltar.”
Jannes não respondeu nada, apenas tirou um pedaço de papel molhado do bolso e o entregou a sua esposa.
“Ravnir? ‘Onde todo mundo é igual’.” Ela leu em voz alta.
O mundo ficou escuro de repente ao redor de Jannes, sua cabana desaparecendo de seu redor e sua esposa de seus braços. Apenas a voz dela continuava:
“Onde todo mundo é igual.”
Jannes olhou de um lado para o outro, confuso. Então ele virou para baixo, para seus braços. Sua pele estava aos poucos tornando-se mais escura e mais dura, até o ponto em que seus braços estavam cobertos por escamas pretas semelhantes às de um lagarto.
Jannes acordou de um salto. Após olhar para os lados e constatar que ainda estava em sua casa em Ravnir, muito mais confortável que a cabana em seu sonho, ele se acalmou. Um pouco de luz já entrava pela janela do quarto, sinalizando que já era hora de ir para a mina. Jannes sentou-se na cama e olhou para o lado. Nadia ainda dormia. Ele colocou uma mão sobre sua barriga proeminente e beijou-lhe a testa, então levantou-se e foi se vestir para partir.


Como sempre, lá estava ele, às cinco da manhã, na boca da mina. Como um relógio de corda. Mas dessa vez, Jannes não havia sido o primeiro.
“Bom dia, senhor Jannes!” disse Mipik com uma voz cansada quando o homem entrou no escritório de Madoc. Ela soltou um bocejo cheio de dentes pontudos. “Perdão, essa hora Mipik costuma dormir.” Ela explicou.
“Dia, Jannes.” O anão estava sentado atrás de sua mesa, tomando café, como sempre.
“Dia.” Jannes respondeu. “Por que o lagarto ainda está aqui? Achei que eles tivessem o turno da noite.”
“Eles tem.” Madoc respondeu. “É só mais hoje. Mipik me disse que vocês não viram a mina toda, e como vocês se saíram tão bem ontem, eu queria que vocês dois dessem uma olhada no resto da mina juntos.”
Jannes suspirou. “Como quiser, chefe.” Ele pegou sua picareta, notando com desgosto que junto a ela agora haviam várias picaretas menores, parecendo ter sido feitas para crianças. “Vamos.” Ele disse para Mipik e saiu andando pela porta, sem esperá-la.


Nas profundezas do túnel mais recente da mina, o túnel 3, Jannes e Mipik cavavam atrás de outro veio de ouro.
“Senhor Jannes!” Mipik parou de cavar por um segundo. “O senhor ouve isso?”
Jannes continuou batendo contra a parede de rocha. “Não.”
“Mipik acha que nós temos que sair.” Mipik soava preocupada. “Mipik acha que a viga de sustentação vai ceder.”
Jannes olhou pra viga de sustentação no teto – um gigantesco tronco de madeira que impedia que centenas de quilos de pedra caíssem sobre os mineradores.
“Impossível.” Jannes continuou cavando. “É um tronco de pinheiro inteiro.”
“Senhor Jannes, Mipik acha que…”
Mas a kobold não conseguiu terminar de falar. Um ruído alto de madeira quebrando ecoou pela mina, e Jannes imediatamente deixou cair sua picareta: Uma grande rachadura havia se formado na viga de sustentação.
“O túnel vai desabar!” Jannes gritou, mas já era tarde – a viga começava a envergar. Jogando sua picareta no chão, Jannes segurou o tronco com as duas mãos.
Poeira caia do teto e o barulho de madeira estalando soava mais alto. Cada músculo do corpo de Jannes estava retesado, tentando segurar centenas de quilos de rocha para que não caíssem diretamente sobre ele. O homem se virou para Mipik, que parecia assustada num canto do túnel.
“O que você está esperando?!” Jannes gritou. “Saia daqui! Avise pros outros!”
“Senhor Jannes, o teto vai cair, o senhor não pode ficar.”
“Se eu soltar essa viga, nós dois morremos, lagarto burro!” Jannes gritou. “Vai logo, eu não vou aguentar muito! Diga pra Nadia que eu a amo.”
“Mas senhor Jannes…”
“Vai logo!” Jannes soltou um berro, sentindo que suas pernas estavam prestes a ceder.
Mipik virou suas costas e, soltando sua picareta, começou a correr à toda velocidade na direção da saída da mina. Jannes esperou até não conseguir mais ver a ponta do rabo da kobold e então mais alguns segundos, até que não aguentou mais e soltou a viga.
O peso da terra acima caiu sobre Jannes, e as pedras o soterraram.


Jannes acordou, sentindo uma coisa quente escorrendo pelo canto da cabeça. Todo seu corpo doía como nunca havia doído antes. Estava escuro. Demoraram alguns segundos até ele se lembrar do que havia acontecido. ‘Então esse é o Jardim dos Ossos?’ Jannes pensou.
“Senhor Jannes! Senhor Jannes!” Uma voz familiar o chamava.
“Mipik?” O minerador mal conseguia distinguir o rosto reptiliano de Mipik na escuridão da mina. Pelo menos ele sabia que não estava morto agora. “Eu não te disse pra sair daqui? Vá chamar ajuda!”
“Senhor Jannes, se Mipik for, vai levar mais de uma hora até Mipik voltar com ajuda. Senhor Jannes pode morrer nesse tempo.”
“O teto ainda pode cair de novo, lagarto burro! Você não tem medo de morrer?! Vai embora!”
“Mipik sabe, Mipik sabe!” Agora Jannes conseguia mais ou menos ver o que ela estava fazendo – pegando pedras e jogando-as para longe. Ela estava tentando desenterrá-lo? “Mas Mipik não pode deixar senhor Jannes sozinho! Se senhor Jannes morre, filhote cresce sem pai. Filhotes de Mipik adultos já, filhotes sabem se cuidar, mas filhote de senhor Jannes não!”
“Mipik, eu estou te implorando!” Jannes agora parecia menos irritado e mais desesperado. “Você ainda pode sair daqui. Me deixe pra trás.”
“Não!” Mipik havia pego a picareta de Jannes e a usava como alavanca para mover pedras mais pesadas. “Na tribo, ninguém deixa outro para trás!”
“Não estamos na porra da sua tribo e eu não sou uma bosta de um kobold sujo! Sai logo daqui!”
“Não! Senhor Jannes está errado!” Mipik continuava jogando pedras pra longe com mais velocidade. “Tribo significa que todo mundo é igual! Tribo significa que todo mundo se ajuda. Ravnir é tribo de senhor Jannes e tribo de Mipik também.”
O sonho daquela manhã voltava à mente de Jannes. ‘Onde todo mundo é igual.’
“Vamos, senhor Jannes! Não desiste tão fácil! Senhor Jannes é grande, então faz força!”
“Mipik, eu acho que quebrei as costelas! Eu não consigo.”
“Senhor Jannes consegue sim!” Mipik movia as pedras tão rápido quanto podia. “Mipik consegue, então senhor Jannes consegue também. Pense em sua companheira e em seu filhote.”
Jannes fez uma força. Com algum esforço, ele conseguia mover os braços. Ele tentou colocá-los embaixo do corpo para levantar as pedras sobre ele, o que pareceu ter algum efeito.
“Filhote de senhor Jannes não vai crescer sem pai. Mipik não deixa!”


Jannes estava deitado em sua cama, olhando para o sol se pondo pela janela. Ele suspirou, olhando para seu corpo enfaixado. Sete costelas quebradas, fraturas múltiplas nas duas pernas, ombro esquerdo deslocado, bacia quebrada e pulmão esquerdo colapsado, ferimentos múltiplos nos órgãos internos… O clérigo que o atendeu disse que era um milagre que ele tivesse sobrevivido, e que se tivesse demorado mais uma ou duas horas para ser atendido, a hemorragia interna teria o levado com certeza.
E tudo que Jannes conseguia pensar era em como estava causando um terrível inconveniente para a pobre Nadia, tão tarde na sua gravidez.
“Jannes? Jannes!” Madoc, sentado num banco ao lado da cama estava tentando chamar sua atenção.
“Hm?” Ele se virou para encarar o anão. “Desculpe, chefe. O que foi?”
“Você pede pra eu explicar como as coisas estão na mina e depois se distrai? Francamente, Jannes, você não era assim quando eu te conheci.”
“Desculpe, chefe. Pode continuar.”
“Então, seu acidente virou assunto na vila. Está todo mundo falando como você salvou Mipik.”
“Eu que salvei Mipik? Como assim?”
“Ela disse para todo mundo que você segurou a viga assim que ela começou a quebrar. Francamente, tem certeza que seu pai não era um ogro? Enfim, Mipik disse que se não fosse por você, ela não teria tempo de fugir das pedras e teria sido soterrada também.”
“Não senhor, foi ela que voltou pra me salvar. Sem ela eu teria morrido.”
“Acho que vocês dois realmente formam uma boa dupla então.” Madoc olhou pela janela. Jannes se virou para olhar também. Quase noite.
“Os kobolds vão trabalhar hoje?” Jannes perguntou.
“Sim, sim.” O anão respondeu. “Mipik já assumiu como supervisora.”
“E como eles estão?”
“Muito bem. Sabe, no começo eu achei que fosse haver briga porque kobolds e raças normais se estranham muito.” Madoc passou a mão pela sua barba. “Mas ter eles na mina é uma vantagem para todo mundo – O conselho de Ravnir aumentou o salário, o número de acidentes diminuiu e a produção aumentou. Acho que funciona bem porque cada um tem sua função, sabe? Os kobolds são pequenos então eles conseguem fazer túneis menores, mas como são fracos precisam de alguém para abrir os buracos e colocar as vigas e levar as pedras até a superfície. Então é, acho que kobolds e humanos se complementam.”
‘Que coisa mais estranha de se dizer.’ Jannes pensou. ‘Acho que só aqui em Ravnir uma coisa dessas é possível.’
“Bem, eu tenho que ir, Jan.” O anão se levantou do banco. “Se eu demorar muito, a patroa vai achar que eu estou bebendo por aí. Melhore logo, viu? Aquela mina não funciona direito sem você por lá.”
“Besteira, chefe, funciona bem demais.” Jannes deu um pequeno sorriso enquanto o anão saía pela porta. O minerador resolveu dormir. Fechou os olhos, mas os abriu novamente ao ouvir um barulho vindo da porta.
“Senhor Jannes, eu posso entrar?”
Pela porta entreaberta, era possível ver o rosto reptiliano de Mipik. Jannes riu.
“Acho que passamos um pouco do ponto de usar ‘senhor’, não acha, Mipik? Entre, vamos.”
“Se você acha melhor, Jannes.” Mipik entrou e sentou-se com alguma dificuldade no banco, um tanto alto para ela.
“O que houve com você? Você está falando bem melhor agora.”
“Ah, eu andei treinando! Desde que eu vim para Ravnir, eu aprendi muitas outras coisas, sim.” Mipik sorriu, mas rapidamente ficou séria. “Você vai ficar bem, Jannes?”
“Isso daqui? Isso não é nada.” Jannes estalou seu pescoço. “Em uns meses eu volto pra mina, você vai ver.”
“Eu espero que sim. E sua esposa, como vai?”
“Pobre da Nadia, tomou um susto tão grande…”
“Eu tenho certeza que sim. Eu ia dizer para ela que você a ama, mas achei que seria melhor se você falasse pessoalmente.” Mipik riu um pouco.
“É.” Jannes sorriu. Depois de alguns segundos de silêncio, ele disse: “Mipik… Desculpa por ter te tratado mal. Obrigado por me salvar.”
“Que é isso, Jannes!” A kobold fez um gesto de desconsideração com a mão. “Eu só fiz o que qualquer um faria. É dever de um cidadão ajudar o outro, não é? E você me salvou também, eu não podia te deixar ali.”
“É, acho que sim.”
Mipik se levantou e espreguiçou-se. “Aiai, eu dormi pouco esse dia. Mas é isso, Jannes, tenho que ir para a mina agora. Outro dia eu passo para te visitar, tudo bem? Quero conhecer seu filho logo, viu?”
“Não tem problema nenhum. Você é de casa.”
Mipik começou a andar na direção da porta e quando saiu puxou a maçaneta para fechá-la, mas foi interrompida:
“Ei Mipik, antes de você ir…” Jannes disse, apontando para ela com seu braço direito, menos ferido que o esquerdo. “Você por acaso sabe o que uma madrinha faz?”

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Resumo da Sessão - 12 de Maio

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“Now this is a story all about how my life got flipped, turned upside down” ~Willard Carroll Smith Jr.

Os conselheiros de Ravnir continuam na cidade, mas a sede de voltar a explorar é mais alta. Aproveitando que as temperaturas esse inverno estão mais altas que o normal, eles se arriscam e decidem sair da cidade em busca de aventura.

Primeiro eles vão até o novo quadro de anúncios da cidade, onde ficam sabendo que Elga Verniex está procurando ajudantes para resolver uma incumbência. Além disso, os misteriosos sumiços de gado tem continuado, e por fim, a associação de pescadores estava contratando aventureiros para matar uma tartaruga gigante que estava atacando seus barcos.

O grupo então segue pela margem do lago Tuskwater até achar os rastros da tartaruga gigante, que eles seguem até sua toca. Lá, eles a enfrentam e a derrotam, voltando para casa com uma pedra misteriosa que nem Lana, nem Denat e nem Markhel conseguiram identificar, mas que parece ter uma magia forte.

Depois de receber sua recompensa pela morte da tartaruga (um anel de Feather Falling), o grupo pega um barco emprestado com os pescadores e parte para investigar Candlemere.

Chegando na ilha, os aventureiros são tomados por um senso de desolação. Apenas Denat e Animak permanecem confiantes e seguem em frente. Quando eles se aproximam da ruína, porém, eles são atacados por um Fogo Fátuo, que começa a se alimentar de seu medo. A batalha é difícil, como batalhas com fogos fátuos normalmente são, mas eventualmente o inimigo é derrotado e o grupo fica livre para adentrar as ruínas de Candlemere.

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Contos de Ravnir - Outros Peixes

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“Unf!” Akiros soltou uma baforada de ar pela boca enquanto levantava a soldado do chão sobre seu escudo, para lança-la com força ao chão do outro lado.
“Urgh.” A soldado resmungou enquanto passava as mãos sobre sua lombar. “Eu detesto treino de combate.”
“Melhor apanhar aqui do que na guerra, recruta.” Akiros estendeu sua mão para ela, que aceitou a ajuda para levantar-se. “Agora pegue sua espada e pare de resmungar.”
“Sim senhor, general. Me perdoe.” A mulher vestida em cota de malha desculpou-se e foi procurar a espada de treino que havia sido jogada longe quando ela caiu.
Akiros soltou um suspiro e olhou ao redor. No pátio do quartel de Stagsfall, os soldados da infantaria haviam se reunido em cinquenta pares para o treino de combate semanal. Erastus já havia chegado, e era o meio do verão. Mesmo que as temperaturas tão ao norte de Avistan não fossem altas mesmo nessa época do ano, o exercício, o sol e as armaduras de corrente estavam deixando os soldados suados e com a pele avermelhada.
‘Bom.’ Akiros pensou. ‘Eles já vão desenvolvendo mais resistência.’ O general então virou seu olhar para cima. O céu já estava ficando escuro. Em pouco tempo o sol teria se posto completamente. ‘Já é Starday, não é?’
Seus pensamentos foram interrompidos pela recruta que retornava com sua espada: “Eu encontrei, general!”
“Ótimo. Agora pegue seu equipamento e ponha no armazém. Bom trabalho hoje, soldado, você está fazendo progresso. Dispensada.”
“Obrigada, general!” A recruta bateu continência e entrou com passos rápidos no quartel propriamente dito. Akiros virou-se para o resto dos soldados que estavam treinando: “Companhia, ateeeeenção!”
Os soldados pararam de lutar, rapidamente embainharam suas espadas de treino e viraram-se para seu general, em prontidão.
“Bom trabalho essa semana, soldados! Aproveitem bem o fim de semana. Não se esqueçam que temos uma marcha de 30 quilômetros próximo Moonday então descansem bastante! Nada de farra esse fim de semana. Isso quer dizer você, Shanda!”
“Senhor, sim senhor!” Um soldado no meio da multidão gritou.
“Guardem seu equipamento e seu uniforme e podem ir para casa. Companhia dispensada!”


Por fora a taverna não parecia grande coisa, mas Akiros já a vinha frequentando e sabia que por dentro ela era arrumada e confortável. Mais um daqueles pequenos negócios que tanto prosperavam em Stagsfall. O general atravessou a porta aberta e dirigiu-se diretamente ao balcão.
“Ei Joleyn, como vão as coisas?” Akiros perguntou à taverneira enquanto sentava-se em um dos bancos.
“Olha se não é o general!” A mulher atrás do balcão respondeu. “Os negócios tem ido de vento em popa, Kiki, obrigada por perguntar. Como vai o exército?”
“Precisando de um pouco mais de disciplina, mas vão chegar lá. Me vê uma caneca de cerveja. Pouca es-”
“Pouca espuma, já sei.” Joleyn já havia pego uma caneca e a enchia com o líquido claro saído de um barril. Ela se virou e colocou a caneca sobre o balcão. Akiros a pegou e levou a boca, dando um longo gole, soltando um satisfeito “aaah!” no fim.
“Hm, era disso que eu estava precisando.” Os cantos da boca de Akiros viraram-se para cima levemente.
“Ei Kiki, me diz uma coisa.” A taverneira disse, se debruçando um pouco sobre o balcão. “Hoje apareceu esse cara que eu nunca vi por essas bandas.” Joleyn apontou com o queixo para um canto atrás de Akiros. “Me diz uma coisa, eu estou ficando louca ou aquele não é o chefe da guarda?”
Akiros virou-se no banco para olhar, com a caneca ainda à boca. Um homem mais alto até que ele estava sentado numa das poucas mesas do bar, de costas para o balcão. Seus ombros largos e cabelo preto e curto eram indicadores certos de que se tratava de Kesten.
“Sim, é sim.” Akiros voltou a encarar Joleyn. “O nome dele é Kesten Garess. Eu ouvi dizer que ele é de família nobre ou algo assim. Não esperava encontrar ele num lugar desses.”
“Ei, meu bar é um estabelecimento de respeito!” A taverneira protestou. “Enfim, seu amigo parece meio triste, Akiros. Talvez você devesse ir falar com ele.”
“Ele não é meu amigo.” Akiros deu um último gole em sua cerveja. “Só trabalhamos juntos.”
“Se você diz…” Joleyn deu de ombros. “É só que ele já sentou faz umas duas horas e só tomou duas canecas. Eu acho que você devia ir ver o que ele tem.”
Akiros respirou fundo e então soltou um longo suspiro. “Está bem.” Ele disse, pondo a caneca com força no balcão de madeira. “Mas eu vou precisar de mais álcool.”
“Ótimo!” A taverneira sorriu enquanto já se virava para colocar mais uma caneca de cerveja para o general. “E não se esqueça de falar para ele sobre mim! Adoro caras de uniforme.”


Akiros aproximou-se da mesa onde o homem estava sentado sozinho: “Ei, olha se não é o senhor certinho! Não esperava encontrar você num lugar desses.”
O guarda continuou olhando para a cadeira vazia a sua frente: “O que você quer, General Ismort?”
Imperturbado pela resposta fria que havia recebido, o general puxou a cadeira que estava a frente de Kesten e sentou-se: “Cara, eu não sei, é que você parecia meio chateado. Normalmente você é todo alegre e enche o saco. Aconteceu alguma coisa?”
“Sim, aconteceu sim.” Kesten disse, ainda frio. “Eu recebi uma carta hoje pelo correio. Tania se casou com outro homem. Um ferreiro. Ela me pediu para parar de escrever para ela.”
Akiros fez uma careta. “Porra, a tal filha do alfaiate?” Ele se lembrava de ter ouvido um rumor de que Kesten havia sido banido por seu pai das terras da Casa Garess por ter cortejado uma mulher do povo em segredo.
“Ela mesmo.” Kesten olhava pra baixo, pra dentro da caneca ainda meio cheia que segurava com as duas mãos. “Os dois anos que eu passei trabalhando como mercenário, eu mandava pelo menos uma carta para ela por mês. Eu pensei que ela não me respondesse porque eu estava sempre em movimento, mas parece que ela simplesmente não ligava mais pra mim.”
Akiros olhou para o guarda a sua frente por alguns segundos, sem saber exatamente o que dizer: “Que bosta, heim, cara?”
Kesten afundou um pouco em sua cadeira, seus olhos ainda fixados na caneca a sua frente. Akiros deduziu que ele tinha escolhido as palavras erradas. Ele passou a mão pela sua barba, pensando no que dizer em seguida.
“Sabe Kesten, eu também tive um problema sério por causa de mulher.”
“É mesmo?” Kesten levantou seus olhos do seu copo e olhou para Akiros pela primeira vez desde que ele chegou, o que já era um bom começo. Saber um pouco mais sobre o passado misterioso do general parecia interessante.
“O nome dela era Rosilla.” Akiros balançou um pouco sua caneca em sua mão, observando o líquido dourado dentro dela girar. Aquele nome trazia lembranças que não eram exatamente prazerosas. “Ela era filha do barão, na cidade onde eu cresci. Heh, acho que meu problema foi o oposto do seu. Enfim, eu e Rosilla nos encontramos por alguns meses em segredo, sabe? Eu era jovem, ela também e uma coisa levou a outra. Mas não durou muito tempo, típico romance adolescente.”
“Sei.” Kesten parecia interessado na história.
“Acontece que uns meses depois, Rosilla ia se casar.” Akiros fez uma careta rápida. “Com o filho de um outro barão ou marquês ou sei lá o que o filho da puta era. Enfim, imagine a surpresa do desgraçado durante a noite de núpcias quando ele descobriu que sua nova esposa não era virgem.”
“Eita.” Kesten deixou escapar. “E aí, o que houve?”
“Bem, o sujeitinho ameaçou um divórcio porque o barão havia passado bens usados pra família dele.” A voz de Akiros agora estava soando mais irritada. “E Rosilla ficou com medo disso, então… Ela inventou uma história.” Akiros parou de falar e tomou toda a cerveja que sobrava em sua caneca de um gole só, mas não a colocou sobre a mesa. “Ela disse para a cidade inteira que eu havia estuprado ela. Obviamente o barão ficou puto da vida.”
Akiros esperou para ver se Kesten iria dizer alguma coisa. Como ele não disse, Akiros continuou:
“Enfim, você deve imaginar qual a punição para um filho de fazendeiro que ‘estupra’ a filha do barão, não é mesmo? O barão insistiu que deveriam cortar minha cabeça fora.”
“E o que você fez?”
“Ora porra, o que qualquer um faria. Eu fugi.” Akiros olhou novamente para sua caneca, e constatou que realmente ela estava vazia. Ele então a colocou sobre a mesa. “Foi assim que eu vim parar nos Reinos Ribeiros, trabalhando para aquele bêbado irritado do Lorde Cervo. Sabe, do jeito que o maldito bebia, às vezes eu ficava pensando se o problema dele não envolvia mulher também.”
Os dois ficaram calados por mais alguns segundos, pensando como continuar a conversa.
“Enfim, qual o ponto dessa história?” Kesten perguntou, olhando para Akiros.
“Olha, eu só queria dizer que…” Akiros descobria que não era tão bom em expressar esse tipo de ideia. “Eu meio que sei o que você está sentindo. Você se sente triste, zangado e impotente… Mas principalmente ferido. Eu já passei por isso também, cara.” Akiros fez uma curta pausa antes de continuar. “Essa sensação só vai passar com o tempo. Não vá ficar chateado com a vida, deixar de ser do jeito que você é e se afundar na bebida. Só saiba que está tudo bem se sentir do jeito que você está se sentindo, e que essas coisas vão passar, e que qualquer coisa você tem pessoas com quem você pode falar.”
“Uau Akiros, obrigado.” O outro homem disse francamente. “Eu fico feliz que você decidiu deixar de trabalhar pro Lorde Cervo. Você realmente não tem jeito pra ser cara mau.” Kesten deu um sorriso.
“Ora, seu filho da puta, depois que eu abri meu coração pra você!” Akiros gritou, mas também sorriu. “Enfim, quando eu disse outras pessoas com quem você pode falar eu quis dizer, sei lá, o Jhod ou o Oleg. Não me vem com essas historinhas tristes que eu não tenho saco pra isso.”
“Como se eu fosse procurar logo você, Ismort.”
“Bem então, concluindo – Existem muitos outros peixes no mar, meu colega. Você é jovem ainda e você não é um chato completo. As coisas vão dar certo para você.”
“É, eu acho que sim.”
“Agora vem comigo.” Akiros disse se levantando da cadeira. “Eu vou pagar uma cerveja pra você. E também, tem uma pessoa que eu queria te apresentar. Ela me disse que adora homens de uniforme.”

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Resumo da Sessão - 5 de Maio

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Chega Neth, e com o inverno batendo às portas de Ravnir, a Brigada Vermelha sente-se ainda mais desinclinada a sair em exploração. O conselho se reúne novamente em 5 de Neth, mas o mês é bem parado. Rumores entre os pescadores do lago Tuskwater falam sobre uma ilha chamada Candlemere, de onde vem fortes energias negativas. O crescimento do baronato é direcionado ao Templo do Cervo. É construído um quartel em Forte Leveton, e lá Katherine estabelece a Primeira Companhia de Granadeiros. O resto do mês passa tranquilo.

Finalmente chega Kuthona e com ela, o inverno. Neve começa a cair em Ravnir. É construído um segundo quartel em Stagsfall e a Primeira Companhia de Infantaria recebe 100 novos recrutas, dobrando de tamanho. O resto do mês passa sem grandes acontecimentos até o último dia do ano, a Noite Pálida.

A Brigada Vermelha decide assistir a um sermão dos sacerdotes de Pharasma durante a noite. Depois de assistirem ao culto, um pouco depois da meia noite, eles dão uma volta pela cidade cultuando o povo que passa a noite acordado, conversando e comendo. Markhel repara que há o que parece uma luz de lamparina dentro do Monastério de Gyronna e nossos heróis vão investigá-la.

A fonte da luz era, de fato, uma lamparina. O grupo resolve ficar por aqui mesmo e contar histórias de fantasma o resto da noite. Terminada a história, acaba o óleo da lamparina e o castelo arruínado fica coberto de escuridão. Katherine remedia isso conjurando luzes dançantes, e o grupo nota que agora estão em 6, não em 5.

O visitante inesperado é o fantasma do Lorde Cervo, bem menos agressivo e mais melancólico do que o esperado. O Lorde Cervo pede uma bebida forte, e Denat divide uma garrafa de liquor com ele. Denat pergunta a ele sobre a Mecha de Cabelo Verde que ele tinha guardado. O Lorde Cervo revela que voltou ao castelo justamente para ver se a mecha continuava ali, e fica contente em saber que Denat tomou conta dela. O fantasma diz que o cabelo foi dado a ele por uma mulher que ele havia amado, e que se o grupo encontrasse-a pessoalmente, dissesse a ela que o Lorde Cervo deu o seu melhor e que sente muito por tudo.

Antes de ir embora para o Jardim dos Ossos, o Lorde Cervo lembra de uma última coisa sobre sua amada – Apesar de nunca ficar sabendo do nome dela, ele conhecia um título que ela usava: A Rainha de Mil Vozes.

O ano de 4711 começa preguiçoso, e para surpresa geral, o inverno parece que não será tão rigoroso como o outono do ano passado havia prometido. O conselho se reúne novamente em Stagsfall. Começa a construção de uma estrada ligando Forte Leveton ao Templo do Cervo. Uma cervejaria é fundada em Forte Leveton, para a felicidade do povo.

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