Reifazedor

Sem Misericórdia

hatchet.jpg

“Eu sinto muito por isso,” Akiros disse enquanto puxava a mulher pela corda que prendia seus pulsos. A sensação da corda apertada em seus braços era familiar demais para ela, mas não de um jeito bom. “Mas eu preciso te levar pro chefe.”
Kressle não disse nada, e apenas seguiu cabisbaixa. Em sua mente, ela se amaldiçoava por ter perdido a paciência tão perto de cumprir seu objetivo. Se apenas ela tivesse esperado mais um pouco, tomado mais cuidado… Agora ela ia morrer sem ter completado sua vingança.
O aposento nos fundos do castelo para o qual Akiros a levou parecia quase aconchegante comparado às paredes frias de pedra do resto do monastério arruinado.
Em uma mesa de madeira no canto da sala, havia dois homens sentados. O primeiro era um sujeito pálido e de feições afiadas, de cabelo preto e comprido. Quando Akiros e Kressle entraram na sala, ele olhou para os dois com interesse, mas após alguns segundos, retornou sua atenção para as adagas que estava afiando. O outro homem era tão alto e largo que nem parecia humano, com uma expressão estúpida em seu rosto e mãos enormes, e estava tão distraído brincando com pequenas estatuetas de madeira na forma de dragões e cavaleiros que ele nem notou a presença dos dois.
De pé do outro lado da mesa, estava ele. Kressle olhou com desprezo para seu ‘tio’. Ele era um homem de meia idade, careca e com os dentes da frente faltando. A mulher sentiu vontade de pelo menos cuspir na direção dele, apenas por princípio, mas decidiu não fazê-lo porque dessa distância ela provavelmente iria errar.
Akiros, porém, a conduziu para o outro lado da sala, onde ela teve uma visão aterrorizante. Sentado sobre uma pesada cadeira de madeira, coberta com peles dos mais diversos animais, estava um homem alto, com o peito descoberto, largo como um barril e peludo como um cachorro. No entanto, sua característica mais marcante era o capacete que cobria toda sua cabeça: Era feito do crânio de algum tipo de cervo, e parecia dar-lhe galhadas.
“Lorde Cervo.” Akiros disse em um tom subserviente. “Nossos guardas encontraram essa mulher tentando entrar pelo portão.”
O homem sentado na cadeira levantou seu pescoço devagar, como se tivesse sido acordado de um longo sono e fez um gesto com a mão para que Kressle se aproximasse. Com o incentivo de Akiros, Kressle relutantemente deu um passo a frente.
Rápido de mais para que pudesse se afastar, o homem sentado agarrou-lhe o queixo com sua mão grossa. Kressle pode realmente sentir a força dele quando ele virou sua cabeça para ver melhor o seu rosto. Finalmente, ele a soltou rudemente, empurrando-a para trás e quase derrubando-a no chão.
“Você chama isso de mulher?” A voz do Lorde Cervo era grave e grossa, e mal parecia humana. “Isso é quase um insulto.”
‘Você também não é grande coisa.’ Kressle pensou, mas preferiu não falar.
“O que te traz aqui, mulher? O que você procura?”
Kressle virou sua cabeça, apontando para o careca com o queixo. “Eu vim por ele.”
“Ela estava batendo com essas machadinhas no portão, gritando para que entregássemos ele.” Akiros complementou, entregando as duas machadinhas de Kressle para ele.
“O que esse homem te fez para você vir até aqui atrás dele?” O Lorde Cervo perguntou enquanto virava uma das machadinhas em sua mão, estudando-a.
“Meus pais…” Kressle começou a falar. “Eram bandidos, no mesmo bando que esse homem. E outros, também, que eu já matei. Eles prometeram que se qualquer coisa acontecesse com meus pais, eles cuidariam de mim. Mas quando meus pais morreram numa emboscada que não deu certo, eles me venderam como escrava em Daggermark. Por três anos eu vivi como escrava, até ter uma chance de escapar.”
“Entendi… Sua motivação é vingança.” O Lorde Cervo continuava examinando os machados. Para um homem de seu tamanho, eles eram quase como brinquedos. Ele então levantou um dos machados e rapidamente desferiu um golpe na direção de Kressle.
Antes mesmo que ela pudesse levantar os braços para defender-se, o Lorde Cervo já tinha atingido um golpe preciso, cortando a corda que amarrava seus pulsos. Ela caiu com um baque na frente dos seus pés, suas mãos liberadas. O homem alto então entregou um dos machados de volta para Kressle:
“Me mostre até onde vai sua vingança.”
Sem hesitar, Kressle virou-se e lançou sua machadinha na direção do homem careca. A arma deu uma volta no ar, duas, e enterrou-se com precisão no rosto do bandido, que caiu com um som pesado sobre a mesa, incitando uma expressão de nojo no homem pálido e um susto no gigante.
“Sem misericórdia, hã?” O Lorde Cervo perguntou.
“Certas pessoas não merecem misericórdia.” Kressle respondeu.
“Então, para onde você vai agora?”


Um pouco mais de um ano já havia se passado desde que Kressle tinha começado a trabalhar para o Lorde Cervo. Aparentemente, ele não gostava de ter mulheres no castelo, porque isso distraía os outros bandidos. Além disso, ele não tinha dito nada explicitamente, mas Kressle havia reparado que ele bebia ainda mais quando ela estava por perto.
Por causa dessas razões, o rei dos bandidos havia decidido mandá-la para o norte, para liderar um acampamento de bandidos que tinha se estabelecido nas margens do rio Thorn. Desde então, Kressle tinha aproveitado sua vida pacata como chefe, ou o mais pacata que a vida de um bandido poderia ser.
Tão remoto quanto as Terras Roubadas eram, os bandidos de Kressle não faziam muita coisa na maior parte do tempo. De uns meses para cá, eles haviam conseguido um ‘acordo’ com o dono de um posto de trocas mais ao norte, mas cada mês ficava mais difícil cumprir as cotas arbitrárias que o Lorde Cervo exigia.
Kressle suspirou, virando em sua mão um anel de latão com uma pequena pérola de enfeite. Tratava-se da aliança que ela havia roubado da esposa do dono do posto de trocas algumas semanas atrás, mas examinando-a com cuidado, ela concluiu que não tinha grande valor. “Lixo.” Ela disse, jogando-o na sua pilha de tesouros.
Desse jeito seria impossível cumprir a cota do mês. Kressle nunca admitiria, mas o Lorde Cervo a assustava, e como se apenas isso não bastasse, rumores que vinham do sul era de que ele estava ficando mais e mais instável a cada dia.
“Kressle?” Ela ouviu uma voz lhe chamar. “Eu voltei.”
“Happs!” Kressle se levantou e virou para a direção da voz.
O sujeito que havia acabado de chegar a cavalo vestia um grosso capuz verde sobre a cabeça, cultivava um cavanhaque escuro e parecia ser cego do olho esquerdo, coberto por catarata. Amarrado a sua cintura, ele levava uma aljava com flechas de pluma branca, e um arco feito de madeira negra. Ao contrário da maioria dos bandidos, ele tinha boa constituição e andava de costas eretas, uma parte do motivo pelo qual ele era o preferido de Kressle.
“Kressle, o que foi?” O homem perguntou, em um tom debochado. “Você parece chateada.”
“Como eu não estaria? Aquele maldito cabeça de osso aumentou a nossa cota novamente.” Kressle disse, irritada. “Ele fica o dia todo sentado no seu castelo enchendo a cara enquanto nós temos de nos esgueirar pela floresta, fazendo o seu trabalho sujo!”
“Talvez quem sabe…” Happs teorizou, retirando seu capuz e pendurando-o em um galho de árvore próximo “Ele esteja lhe testando? Aumentando as cotas para ver até onde você consegue chegar?”
“Hah! O Lorde Cervo?” A mulher riu. “Aquele brutamontes? Você não ouviu a história? Semana passada ele quebrou o pescoço de um capanga porque ele cuspiu no chão do castelo! Partiu a coluna dele igual um graveto, com uma mão só!” Kressle abaixou a cabeça e suspirou. “Provavelmente vai fazer o mesmo comigo.”
Happs olhou pro chão e coçou a nuca. Então ele deu um passo a frente e colocou sua mão no ombro de Kressle. “Não, ele não vai.”
“Como não?! Não atingimos nem a metade da cota, e aqueles comerciantes do norte não tem nada de valor! Igual a nós!” A bandida chutou uma das sacolas de tesouro, espalhando várias moedas de cobre quase sem valor pelo chão de terra.
“Eles tem um ao outro, Kressle.”
“Então! Eles tem mais que nós.”
“Você tem a mim, Kressle! Isso não é o bastante? Porque pra mim, você é tudo que eu preciso.”
Kressle respirou fundo. “Isso não importa. Em uma semana, o Lorde Cervo vai pendurar nossas cabeças na parede de fora daquele castelo sucateado dele.”
“Nós podemos fugir, Kressle. Ir pra longe daqui, só nós dois. Mivon, ou talvez Touvette. Eu posso ganhar o suficiente caçando pra nos sustentar por um tempo. Veja, já é dia de ir coletar os impostos no posto de trocas. Eu vou pegar tudo que eles tem, nós ficamos com a maior parte e distribuímos o resto para os outros bandidos, e depois sumimos. Vai demorar pelo menos uma semana pra notícia chegar ao Lorde Cervo, e mais duas até ele estar sóbrio o suficiente para entendê-la.” Happs estendeu sua mão para Kressle. “Então, temos um plano?”
Kressle olhou para a mão estendida do homem a sua frente, sorriu e a apertou. “Temos um plano.”
“Então eu estou saindo.” Happs colocou novamente seu capuz e andou até o seu cavalo.
“Você vai demorar muito dessa vez?”
“Apenas algumas horas.” O bandido falou, montando em seu cavalo. “O dono do posto de trocas é bravo, mas ele nunca colocaria a mulher em risco. Tudo que eu pedir ele vai me dar, você vai ver.”
“Espero que seja mesmo.”
“Não se preocupe, vai ser fácil!”


Happs Bydon estava jogado no chão, sua respiração pesada e seu rosto sujo de sangue e terra. Seu único olho bom se movia desesperadamente pelo pátio do posto de trocas, procurando por uma rota de fuga, por seu cavalo, por seu arco, algum meio de escapar e voltar para Kressle.
Os aventureiros tinham aparecido de lugar nenhum, quatro deles. Mesmo estando em maior número, os bandidos caíram rapidamente perante a espada do homem de cabelo de fogo, a besta do elfo, as poções da mulher de orelhas de raposa e as magias do meio-orc encapuzado.
A maioria dos bandidos que ele havia trazido consigo jaziam falecidos pelo chão de terra ao redor dele. Um sortudo desgraçado havia conseguido montar em seu cavalo e fugir a rápido galope de volta para o acampamento, para contar a Kressle sobre os aventureiros e o fracasso na tomada do posto.
Happs não era nem nunca havia sido um homem orgulhoso. Ele resolveu que sua melhor chance de continuar vivo era se rendendo para os aventureiros. Se ele contasse a localização do castelo do Lorde Cervo, certamente sua vida seria poupada! Se ele implorasse, os aventureiros não iriam machucar Kressle!
Com o resto de suas forças, Happs se reergueu tremendo, ficando de joelhos e agarrando-se as roupas do aventureiro mais próximo, o meio-orc, suas mãos abertas em pleno sinal de súplica.
“Eu me rendo! Eu me rendo!” O homem barbado pediu. “Misericórdia, por favor, misericórdia!”
“Misericórdia?” O meio-orc respondeu friamente, removendo uma adaga de dentro de seus robes. “Certas pessoas não merecem misericórdia.”
E de um único movimento, abriu sua garganta, deixando que o sangue e a vida do homem escorressem para o chão de terra.

View
Resumo da Sessão - 18 de Outubro

owlzilla.jpg

De volta a Stagsfall, a Brigada Vermelha descobre que parte da cidade foi destruída em um ataque de um owlbear gigantesco. Após ajudar a conter os estragos, a equipe sai a procura do owlbear, seguindo seu rastro ao leste.

No caminho, eles ouvem um chamado de socorro vindo de um desfiladeiro estreito. Ao entrarem na fenda da rocha para resgatarem a pessoa em perigo, eles acabam sendo atacados por um leucrotta, uma criatura capaz de imitar vozes. Denat e Herbert fazem um estrago no animal, que tenta fugir escalando o desfiladeiro escarpado. Herbert, porém, acerta um tiro certeiro na criatura enquanto ela está em pleno ar, derrubando-a e fazendo-a chocar-se violentamente com o chão abaixo, morta.

Katherine então descobre a toca da criatura, e Herbert escala para investigá-la. Lá, entre outras coisas, ele encontra um pente de marfim de mamute para Ivan e uma couraça de couro de dragão azul para Denat.

O grupo então continua seguindo o rastro do owlbear, até chegar em uma caverna que parece ser sua toca. Dentro dela, eles encontram alguns cogumelos guinchantes, que fazem um barulho alto que ecoa por toda a caverna. Acordados pelo barulho de seus primos, três fungos violetas começam a atacar os aventureiros, quase que incapacitando Herbert e Denat com seu veneno mortal.

As coisas vão de mal a pior quando o owlbear gigantesco aparece das entranhas da caverna, acordado pelo barulho dos cogumelos, e atira Denat 3 metros para trás com um único golpe de suas garras. Denat tenta então levantar-se, apenas para ser atingido novamente pelas patas enormes da criatura.

Herbert então acerta um tiro perfeito no olho direito do owlbear, cobrindo seu rosto de sangue e deixando-o ainda mais zangado. A criatura então lança Denat para o lado novamente, sem nenhum esforço. Ivan corre na direção dela e acerta um golpe na sua perna de trás, cortando-lhe o tendão.

O owlbear desfere toda sua raiva contra o paladino, acertando-o com um golpe de seu bico e agarrando-o com uma de suas garras enormes, sem preocupar-se com os ferimentos que sua armadura com espinhos está formando em seus dedos. Denat consegue posicionar-se atrás da criatura e atingi-la com um shocking grasp conduzido por Animak. Katherine lança uma de suas bombas com efeitos devastadores, enquanto Ivan tenta em vão se libertar. Acharnor, que até então estava invisível, atinge o gigantesco animal com um sneak attack, que causa dano considerável. Finalmente, a criatura é derrubada por dois tiros do revólver de Herbert, e o golpe de misericórdia vem de Denat, que finca Animak no pescoço do gigante.

A equipe resolve descer mais fundo dentro da toca do owlbear. Lá, eles encontram um cadáver humano, curiosamente equipado com um anel feito de cabelos verdes. Denat identifica o anel como sendo um anel de amizade animal e decide colocá-lo, mesmo contra os conselhos de Animak e de Ivan, que sentiu uma aura maligna no objeto.

Mais fundo ainda, eles encontram o cadáver de outro owlbear gigante, junto a um ovo já morto. Nessa sala também existem 6 outros cadáveres humanos, sem nenhum equipamento digno de ser recolhido. Ivan resolve pegar o ovo e levá-lo de volta a Ravnir.

No caminho de volta pra casa, a equipe encontra Munguk por coincidência. Depois de ter a crise em Stagsfall explicada para ele, o gigante promete ajudar com a reconstrução das casas.

Finalmente voltando para Stagsfall, a sessão termina onde ela começou – Um grande omelete é servido para os desabrigados pelo ataque do owlbear, e a nação comemora novamente a capacidade de seus líderes. Embora as coisas ainda não estejam boas, parece que no futuro elas só irão melhorar.

Naquela noite, Denat tem um sonho estranho onde ele visita uma terra desconhecida, com uma geografia impossível. Ele acorda de supetão, um dos rubis em seu novo anel brilhando fracamente no escuro da noite.

View
Resumo da Sessão - 5 de Outubro

To_war_by_Pandarice.jpg

A sessão inicia com os granadeiros marchando rumo a Stagsfall. Na altura em que o rio Thorn se encontra com o rio Shrike, porém, eles são bloqueados por um exército de trolls.

O combate vai a favor dos granadeiros, que conseguem quebrar a formação do exército inimigo com suas bombas e acaba por causar um pânico, obrigando os trolls a baterem em retirada. É nesse momento que chega a cavalaria de Varnhold e persegue a cavalo os trolls sobreviventes, não deixando um único soldado escapar.

Os dois exércitos chegam a Stagsfall intactos. Denat invoca um conselho de guerra para explicar a situação para Maegar Varn e decidir um plano de ataque. No fim, eles decidem marchar com a infantaria de Ravnir e a cavalaria de Varnhold em direção ao sul e deixar a guarda da cidade nas mãos dos granadeiros e de Kesten Garess.

No caminho, os exércitos encontram um gigante adormecido, que parece ser o mesmo que eles encontraram algumas semanas antes. Como incapacitados de marchar o exército pela área sem acordar o gigante, Ivan Strelok decide tentar resolver a situação diplomaticamente.

O paladino acorda o gigante e eles conversam. O nome do gigante é Munguk, e ele não parece muito impressionado com os exércitos combinados de Ravnir e Varnhold. Ivan pede passagem, e o gigante pede algo em troca. Especificamente, algo alcóolico. Por sorte, a equipe ainda tinha algumas garrafas do licor exótico do Lorde Cervo sobrando, e a bebida poderosa é o suficiente para deixar o gigante contente. Descobrindo que o exército está preparando um ataque contra a fortaleza de Hargulka, Munguk diz que não tem amor nenhum aos trolls e que conhece uma passagem secreta que dá acesso a fortaleza.

Quando os exércitos se encontram com a guarda de honra dos trolls, Munguk facilmente abre passagem através da formação inimiga e conduz a Brigada Vermelha até o quartel general das forças de Hargulka. A passagem secreta em questão é muito pequena para os trolls, tendo sido claramente construída pelos habitantes originais dessa fortaleza. A equipe entra e encontra resistência na forma de dois guardas próximos da entrada, que são rapidamente despachados.

Descendo por uma escadaria, a equipe chega mais fundo no coração da fortaleza, até encontrar o que parece ser um pequeno refeitório. Sobre uma mesa, há um cadáver humano, e um troll nessa sala está alimentando um trollhound com pedaços de carne. Tanto o cão quanto seu mestre são facilmente despachados e a equipe segue mais para o fundo da fortaleza.

Passando por uma despensa cheia de mantimentos e utensílios que poderiam ser úteis para Ravnir, o grupo chega então a uma série de túneis cavados na rocha. Após uma breve caminhada, eles chegam a uma bifurcação e decidem tomar o caminho da direita, se deparando com uma sala com dois trolls. Os trolls são derrotados com algum esforço e a equipe tira um tempo para se preparar para a próxima luta.

No entanto, eles são surpreendidos por Nagrundi, o tenente de Hargulka, um troll de duas cabeças coberto com armaduras. Nagrundi mostra-se um inimigo formidável, mas é finalmente derrotado quando Katherine e Denat trabalham juntos para botar fogo no gigante.

Após mais um curto descanso e de usos generosos de varinhas e poções, o grupo segue mais a fundo pelos túneis, encontrando uma nova bifurcação. Como um lado tinha um cheiro forte de carne putrefata, o grupo resolve investigar o outro primeiro.

Eles então entreouvem a voz de Hargulka em seus aposentos, tentando decidir o próximo curso de ação que seus exércitos deveriam tomar e murmurando algo sobre A Rainha de Mil Vozes. Quando Hargulka repara na luz vindo pelo corredor, Denat o cega com glitterdust e Ivan avança sobre ele com sua espada.

O troll, cego e confuso, remove uma pequena esfera de uma pulseira amarrada em seu braço e a joga na direção dos túneis, acertando Katherine em cheio. A esfera explode em uma gigantesca bola de fogo, deixando Denat inconsciente e quase derrubando Acharnor, Katherine e Herbert.

A batalha prossegue por mais um pouco até que Ivan o derrota com dois golpes certeiros de sua espada. Vitoriosos, o grupo se apodera dos espólios dos trolls, entre ele um mapa que parece ter comandos da Rainha de Mil Vozes para exterminar os humanos das Terras Roubadas, mas poupar os feys. Então a equipe remove a cabeça de Hargulka e sai triunfante da fortaleza do inimigo.

Lá fora, os exércitos combinados de Ravnir e de Varnhold lutaram bravamente com os trolls e os derrotaram, embora a cavalaria tenha sofrido consideráveis baixas devido a uma manobra de cunha realizada num momento inoportuno. A Brigada Vermelha segura a cabeça de Hargulka sobre o parapeito da fortaleza e dá um discurso para suas tropas, antes de derrubar a cabeça do rei troll lá embaixo.

Os exércitos festejam e descansam, antes de retornar para Stagsfall. No caminho, a Brigada Vermelha finalmente entrega os cogumelos que Elga Verniex pediu, para alegria da bruxa, que alegremente lhes dá outra missão.

Finalmente de volta ao lar, a Brigada Vermelha encontra parte de Stagsfall em ruínas, como se houvesse sido amassada por algo gigante e depois engolida por fogo, uma gigantesca coluna de fumaça negra sinalizando o coração da capital de Ravnir.

Bem vindos ao nível 7, modafocas.

View
Resumo da Sessão - 27 de Setembro

pompadino.png

Rise of the pompadin.

A sessão começa com Katherine e Acharnor discutindo a situação dos saurians na tribo, quando um dos soldados da Primeira Companhia de Infantaria os avisa de que eles foram convocados por Kesten para tratar de um assunto de alta importância.

Chegando até o quartel da guarda, Kesten está em reunião com um paladino da ordem de Abadar, de nome Ivan Strelok. Strelok traz notícias de um culto de Gyronna operando em segredo dentro de Stagsfall, sacrificando crianças para sua deusa.

Com seu objetivo decidido, Katherine, Acharnor e Strelok saem a procura de Jean-Luc Benoit, o espião. Eles acabam encontrando Denat e Herbert primeiro, num pequeno bar. Jean-Luc por acaso também estava no bar, e aceita a missão de se passar por uma prostituta para descobrir informações sobre o culto.

Na manhã seguinte, Acharnor procura seu espião, que descobriu informações seguindo os traços de prostitutas mais experientes até encontrar alguém com conexões ao culto e ler sua mente. Jean-Luc informa Acharnor que o culto se reúne todas as noites de Moonsday para fazer seus sacrifícios.

Na mesma noite, uma Moonsday, o grupo segue até o lugar indicado, onde Acharnor desarma o alarme e surpreende as cultistas da deusa das bruxas no meio de sua pregação, acertando um virote surpresa na sua líder. Enquanto Denat, Animak, Herbert e Katherine fazem um trabalho rápido com as cultistas, Strelok avança diretamente contra a mestra do culto, usando seu smite evil. Durante sua investida, ele corta uma das mulheres em duas antes de chegar até a bruxa.

A batalha entre o paladino e a bruxa é intensa, Strelok acertando a mulher com suas manoplas com espinhos enquanto se defende das magias malignas da mulher, até que a luta finalmente acaba… Quando Katherine atinge a mestra do culto com um míssil mágico de sua varinha.

Pew pew, 760 xp pra cada um.

Com um bebê resgatado, o grupo sai do celeiro onde os cultos estavam sendo realizados, apenas para encontrar Melianse junto de Akiros os esperando. Akiros explica que precisa deles em Stagsfall imediatamente, porque segundo Tiressia, um exército de 100 trolls está marchando em direção a Ravnir. Em pânico, um conselho de guerra é formado.

Kesten lidera a evacuação das áreas rurais ao redor da cidade e manda cartas para Forte Leveton e Varnhold, pedindo o envio de tropas. Akiros tenta planejar uma estratégia para a batalha vindoura, com poucas esperanças.

No dia seguinte, Akiros bolou um plano que pode equalizar um pouco o combate: Mobilizando as forças de Ravnir para lutar com os trolls de dia, eles nulificam a sua vantagem natural por combater no escuro. O exército marcha ao sul e toma posições defensivas no alto de uma colina.

Os trolls finalmente estão de frente com o exército de Ravnir. Um emissário vem fazer a declaração de guerra, e diz que, sob comando de Hargulka, nenhum humano, elfo, anão ou outra raça ‘civilizada’ será poupado da punição de tentar colonizar as Terras Roubadas, e que Stagsfall servirá como exemplo. Apesar das tentativas de diplomacia de Strelok, os trolls estão resolutos em começar a batalha.

As duas linhas de fronte se misturam numa confusão de sangue e aço. Após perder sua vanguarda ao tentar manter sua posição, Akiros comanda que os exércitos assumam uma abordagem mais ofensiva contra os trolls. Usando sua posição vantajosa e seu treinamento contra esse tipo particular de inimigo, as Chamas de Ravnir viram o rumo do combate e aniquilam os trolls em poucos minutos, deixando apenas alguns sobreviventes que são logo exterminados pelos soldados em patrulha de campo.

De volta a Stagsfall, Akiros dá um ‘presente’ aos membros do conselho: Por ordem dele, os soldados conservaram um troll vivo, com todas as partes desnecessárias para falar cortadas fora. Strelok, único dentre os presentes que conhece a língua dos trolls, tenta interrogar o prisioneiro enquanto ele ainda está disposto a cooperar.

No fim, as únicas informações que são obtidas são que Hargulka é inflexível em seu objetivo de destruir Ravnir, e que enquanto ele continuar vivo, os trolls continuarão atacando. Com isso em mente, a Brigada Vermelha, agora com um paladino em sua companhia, decide que seu próximo objetivo deve ser infiltrar a base dos trolls e matar Hargulka.

View
Resumo da Sessão - 20 de Setembro

interior_crocodile_alligator.jpg

A sessão começa com Acharnor sabotando o portão para a vila dos saurians. Uma vez dentro da vila, Herbert facilmente derrota os dois guardas próximos ao portão. Não vendo nenhum movimento na vila propriamente dita, os membros da brigada vermelha assumem que os saurians estão escondidos em suas casas de terra.

Gritando em dracônico, Herbert tenta intimidar os saurians a entregar a criança capturada. Apenas um se prontifica para isso, dizendo que irá levá-los até onde a garota está. No caminho, ele explica que o ‘espírito do herói’ é o fantasma de um ancestral do rei atual, Vesket, chamado Stisshak. Stisshak faz demandas estranhas da vila, mas Vesket obedece suas ordens cegamente.

A criança de Ravnir foi capturada para servir de alimento na tribo, desprovida de carne devido a ação de trolls territoriais no sul. Stisshak porém proibiu que a criança fosse consumida e ao invés disso ordenou que os saurians a torturassem, em troca de proteção dos trolls. Entretanto, os saurians famintos consideram isso um desperdício, sem falar de uma maldade desnecessária.

Finalmente chegando até onde a menina estava aprisionada, pendurada com cordas sobre um fosso cheio de lagartos gigantes, o guia da brigada se oferece para soltá-la, mas é atingido no peito por uma azagaia lançada por um dos soldados de elite de Vesket, que o chama de traidor. Dá-se então uma batalha difícil entre os soldados de elite e seus dois crocodilos treinados e os membros da brigada.

Após a batalha, Herbert liberta a criança enquanto Katherine tenta cuidar do guia que foi ferido. Os saurians da tribo sugerem que a brigada vá embora de uma vez, antes que o rei descubra o que aconteceu e desconte sua raiva neles todos. Com a segurança da garota como primeira prioridade, Denat acha melhor seguir o conselho e partir em direção a Stagsfall.

View
Resumo da Sessão - 14 de Setembro

saurian_sofre.png

A sessão hoje começou com a divisão dos espólios do Hodag entre os membros da equipe. Após isso, a Brigada Vermelha seguiu ao sul, aonde encontraram a floresta dizimada e conseguiram ouvir sons de tropas marchando a distância. Após uma retirada estratégica, nossos heróis passaram a noite na floresta, e continuaram seguindo ao sul, até encontrar uma pequena vila.

O guarda nos portões da vila disse que se tratava de Hillton, um pequeno vilarejo submisso a Mivon. Por ordem do Lorde Prefeito de Mivon, as cidades na fronteira norte estão em alerta devido a presença intensificada de trolls e saurians ao norte.

Decididos a voltar a Ravnir, os membros do conselho dão as costas e retornam, mas no caminho, ouvem gritos de uma criança vindos de uma ilhota murada no meio do rio Murque. Seguindo em direção aos berros, eles conversam com um guarda saurian no portão, que Herbert intimida em dá-los informações.

Aparentemente, a criança foi capturada em Ravnir quando estava sozinha, e foi trazida para cá para servir de comida, mas por ordem do rei dos saurians, ela deve ser mantida viva e torturada para cumprir com as ordens do ‘espírito do herói’. Os membros do conselho não tem paciência pra isso tudo e resolvem invadir o vilarejo, e o guarda aciona o alarme para avisar aos outros saurians.

View
Resumo da Sessão - 6 de Setembro

cowboys_dmurray29_kisssky.gif

A Brigada Vermelha continua sua jornada em direção a Varnhold. No caminho, eles param para acampar e Herbert fica de guarda durante a noite. Porém, no meio da madrugada, eles são acordados por um mamute curioso que se aproximou do grupo, completamente sem ser visto pelo pistoleiro. Passado o susto, eles voltam a dormir.

Na manhã seguinte, a viagem prossegue através de um pequeno vilarejo de fazendeiros e por uma passagem nas montanhas guardada dos dois lados por torres. Finalmente então nossos heróis chegam a Varnhold, onde eles prontamente dão meia volta e retornam pra casa, assim desperdiçando com sucesso estrondoso duas horas perfeitamente boas de sessão.

Porra.

De volta à Floresta Greenbelt, a equipe resolve explorar mais para o sul, encontrando um lamaçal as margens do lago Tuskwater. O lamaçal conta com vários fungos exóticos, e Katherine resolve que seria uma boa ideia ir coletá-los. Para surpresa de todos, ela é capturada pelos tentáculos de um monstro. Sim, outro. Dessa vez, um tendrículos, uma massa de cogumelos de 6 metros de altura. Depois de uma curta batalha, a criatura é morta e o grupo ajuda a remover Katherine de seu estômago. Como recompensa, os nossos heróis conseguiram recuperar 15 chacoalhos de Gozreh, um tipo de cogumelo raro que Elga Verniex gosta de usar para fazer chá.

Mais ao sul, a equipe começa a ouvir um canto desafinado e gutural. Ao seguir o barulho, eles se deparam com um gigante bêbado e aparentemente irritado. Como o gigante não os havia visto e nenhum deles conseguia entender sua língua, a equipe resolve ignorá-lo e seguir de volta para o norte.

Após dar a volta pelo lago Tuskwater, a Brigada Vermelha encontra uma cabana na floresta, onde eles falam com Stas, o último sobrevivente de um grupo de lenhadores de Ravnir. Stas explica que sua expedição foi atacada por um Hodag, um tipo de réptil gigante coberto de chifres ósseos ao longo de todo o corpo. A equipe promete encontrar e matar o Hodag, acreditando que esse possa ser o suposto ‘dragão’ de que os habitantes de Ravnir vinham falando.

Com a ajuda de Herbert, o grupo consegue achar a toca do monstro, e entram em combate. Apesar de Denat ficar seriamente ferido pelo combate, o Hodag finalmente é derrotado por um tiro de Herbert, livrando Ravnir do ‘dragão’.

View
Resumo da Sessão - 30 de Agosto

__uma_festa.jpg

Eu disse pra vocês que ia fazer o resumo.

Nossa sessão começa logo após Katherine recuperar a estátua de Findeladlara das ruínas do Castelo Abandonado e entregá-la para Lily Tersken, que precisava dela para completar sua pesquisa sobre os antigos elfos da Floresta Greenbelt. Após isso, a equipe continua explorando o castelo, indo até a torre principal e recuperando uma antiga estátua de alabastro de uma elfa antiga e uma clepsidra finamente decorada dos quartos da Lady Dançarina. Os espólios foram transportados até uma carroça que a historiadora havia trazido para esse propósito, e os governantes de Ravnir expressaram sua relutância em dividir-se desses tesouros. Lily concordou que seria uma pena remover uma peça histórica como a estátua do local onde ela passou mais de 1000 anos, e apenas pediu que ela fosse bem cuidada. Quanto a clepsidra, ela é de uma construção mais recente, e provavelmente foi trazida pela própria Lady Dançarina quando ela se estabeleceu nas ruínas.

Ao retornar a Stagsfall, agora juntos do pistoleiro Herbert Pena, a Brigada Vermelha descobre que um sujeito metido a revolucionário está tentando espalhar a desordem pelo reino. Após localizar o cavalheiro de disposição rotunda, Denat o demole completamente em um debate e recupera a admiração do povo, enquanto o incitador deixa a cidade em silêncio.

No dia seguinte, com sua vontade de explorar recuperada, a Brigada Vermelha resolve partir em direção ao leste para explorar as terras próximas a Varnhold. No caminho, porém, eles são abordados por um Arbusto Errante. Na batalha, Denat acerta alguns golpes de sorte e Herbert prova seu valor para a equipe acertando-o com um tiro preciso de seu revólver, mas no fim a criatura é derrotada por uma das bombas de Katherine.

Com a confiança reafirmada após derrotarem seu odiado nêmesis, a Brigada Vermelha para para descansar um pouco antes de seguir sua viagem em direção a Varnhold.

View
Resumo da Sessão - 21 de Maio

creepy_well.jpg

A noite começa a cair em Candlemere, e contra os conselhos de seus aliados, Denat avança rumo ao templo. Chegando próximo, Acharnor ouve barulhos de passos com seus olhos de elfo e empurra seus aliados para o lado, tirando-os do caminho de uma procissão de cultistas fantasmas. Após se levantarem do chão e sacudir a poeira, os heróis avançam templo adentro.

O templo escuro está em ruínas. Escrito em um dialeto antigo de aklo nas paredes, estão o que Katherine conclui serem preces a Yog-Sothoth. Lana, com o auxílio de suas luzes dançantes, avança na direção da escuridão, com Denat e Acharnor logo seguindo.

Algo, no entanto, se apodera de Acharnor, que rapidamente saca sua espada e desfere um golpe contra Lana, que esquiva. Denat então o restringe, enquanto Lana tenta ‘exorcisá-lo’. O resto do grupo avança até os fundos do templo, onde encontram um altar com uma bacia de obsidiana sobre ele. Ao lado dela, há uma faca terrivelmente curvada. No fundo, no meio da torre, há um poço que parece não ter fundo, e após ele, uma escada que sobe até o próximo andar.

Denat examina a adaga, descobrindo que é mágica. Após resistir a seu efeito e identificar que, de fato, a adaga está amaldiçoada, ele displicentemente joga o item amaldiçoado no poço. Todos imediatamente sentem como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros e Lana confirma que a maldição da ilha foi quebrada. Inteiramente sem querer.

O grupo então explora os andares mais altos da torre, onde encontram o quarto de um cultista, ainda com seu diário, explicando melhor os eventos que ocorreram na ilha. Como é de praxe, nossos heróis pegam tudo que é de valor e/ou que não está pregado no chão e partem da torre.

Aproveitando que é noite e eles não pretendem voltar por um bom tempo, os conselheiros de Ravnir se dão ao luxo de mapear a ilha, o que toma boa parte da noite e da manhã seguinte. Durante esse tempo, eles encontram outro Fogo Fátuo, que é derrotado com muito mais facilidade agora que não está sendo beneficiado pela maldição da ilha. Nossos heróis então pegam a canoa que tinha sido emprestada pelos pescadores de Stagsfall e resolvem prestar uma visita a Elga Verniex.

View
Contos de Ravnir - Uma Tribo

gold_mine.jpg

Naquela manhã de Rova, soprava uma brisa gelada, e mesmo que o sol estivesse brilhando Jannes não conseguia sacudir o frio do corpo. O outono tinha aspecto de que ia ser pesado. O inverno então, ele preferia nem pensar sobre. No entanto, como sempre, lá estava ele, às cinco da manhã, na boca da mina. Como um relógio de corda, Jannes sempre chegava às cinco, sempre o primeiro.
Jannes era um sujeito que inspirava respeito, e não apenas porque ele era um supervisor da mina. Tinha 1 metro e 98 de altura, e quase tudo era músculo. Ele não falava muito com ninguém, nem gostava de sair com seus colegas para beber. Tinha também um tom de pele consideravelmente mais escuro do que as pessoas dessa região de Avistan estavam acostumadas. Obviamente, ele não tinha nascido por aqui, mas como ele era quieto, ninguém sabia de onde ele tinha vindo. Rumores, porém, haviam vários: Uns diziam que ele era um escravo escapado de Cheliax. Outros, que ele tinha sido um soldado em Andoran que cansou-se daquela vida. Também diziam que ele tinha sido um templário em Mendev e que fugiu para os Reinos Ribeiros com medo dos demônios, e seu deus o abandonou.
No fundo, ninguém sabia de onde o homem tinha vindo, mas todos sabiam que você não se metia com o supervisor Jannes. O sujeito levava o trabalho na mina muito a sério, e ainda por cima era irritado. Os mineradores ainda falavam sobre a vez que ele quebrou duas costelas de outro homem porque ele estava escondendo pepitas dentro da calça. “Esse ouro é de Ravnir.” Jannes havia dito para os outros depois que se acalmou um pouco. “Quem rouba da mina está roubando do povo.”
Jannes entrou no escritório dos mineradores para pegar seu equipamento. Sentado atrás de uma mesa no canto da sala, tomando um copo de café quente, estava Madoc, um velho anão mineiro, já aposentado, que hoje em dia administrava a mina.
“Dia, Jannes.” O velho disse. “Frio hoje, né?”
“Dia, chefe. Poisé.” O homem acenou com a cabeça enquanto pegava uma picareta e duas varas solares no canto da sala.
“Como vai a Nadia?”
“Bem, obrigado. A criança deve nascer em dois meses.” Disse o homem enquanto amarrava seus equipamentos no cinto.
“Primeiro filho, né? Foda.” O anão deu um longo gole no seu copo de café. “Sabe, você é uma exceção. A maioria dos mineradores daqui é solteirão.”
“É, eu reparei.”
“Quando um dos pobres coitados consegue se casar, eles vão trabalhar em alguma fazenda por aí ou algo assim. O pagamento é menor, mas não é tão arriscado, sabe? E você agora, com um filho a caminho… Sei lá, Jannes.”
“Minerar é tudo que eu sei fazer, chefe.” Ele respondeu concisamente.
“É, e você faz muito bem.” O anão passou a mão pela sua barba. “Então, eu preciso que você faça algo pra mim hoje. A gente está recebendo uns mineradores novos, e tem alguém que eu queria que você mostrasse a mina.”
“Hoje eu estou ocupado com a ampliação do túnel 3. Manda o Mervel cuidar disso.”
“Não, Jannes, tem que ser você. Você tem que treinar a supervisora do turno da noite.”
“Turno da noite?” Jannes se surpreendeu. “Não temos turno da noite. Quem nos nove infernos é louco o bastante para cavar de noite?”
“Kobolds.”


‘Era só o que me faltava.’ Jannes pensou enquanto a supervisora nova era apresentada aos outros mineradores. ‘Agora eu vou ter que cuidar de um maldito lagarto.’
“Jannes.” Madoc disse, trazendo até ele um tipo de réptil bípede, de escamas pretas e com não mais do que 80 centímetros de altura, coberta com um casaco de peles de coelho. “Essa aqui é Mipik. Ela veio altamente recomendada pela tribo Sootscale, e eu quero que você a treine para fazer seu trabalho no turno da noite.”
“Essa coisa é uma mulher?”
“Diabos, Jan, não seja rude!”
“Não, não, não é problema.” Mipik disse com um pronunciado sotaque dracônico. “Mipik entende.”
Jannes não conseguiu deixar de reparar, com suspeita, nos dentes afiados da kobold.
“Já perdemos tempo demais com isso.” Jannes empurrou uma picareta nas mãos de Mipik, que eram obviamente pequenas demais para usá-la de forma efetiva. “Se você vem, venha de uma vez.” Disse ele, se virando e caminhando para dentro do túnel.


Jannes andava pelos túneis escuros empurrando o carrinho de metal e segurando uma vara solar acesa com a outra mão. Para seu desgosto, Mipik vinha logo atrás, carregando com dificuldade a picareta exageradamente grande. Os dois já vinham descendo o túnel por cerca de 15 minutos até que Mipik quebrou o silêncio:
“Perdão, senhor Jannes, é?”
“Que foi?”
“É que chefe Madoc diz que senhor Jannes treina Mipik.”
“E daí?”
Mipik ficou quieta uns segundos, como se estivesse tentando lembrar as palavras certas. “É que senhor Jannes é quieto, então Mipik…”
“Ok.” Jannes a interrompeu. “Eu vou te treinar então. Primeiro você bate com a picareta na parede até caírem pedaços. Daí você enche o carrinho e volta lá pra cima. Pronto, fácil.” Ele disse, de forma rude.
“Ah sim! Mipik entende.” A kobold não entendeu a intenção do minerador. Jannes soltou um suspiro e continuou empurrando o carrinho por mais uns minutos antes de Mipik tentar começar uma conversa de novo:
“Senhor Jannes usa anel em mão esquerda. Mipik entende que senhor Jannis tem companheira?”
“Mhmm.”
“Que bom! E filhotes, senhor Jannes tem?”
“Não.” Ele respondeu curtamente. “Mas minha esposa está grávida.”
“Ah, muito bom.” A kobold acenou com a cabeça. “Mipik tem oito filhotes em tribo. Todos grandes. Muito orgulho. Filhote de senhor Jannes deixa ele muito orgulhoso também, Mipik deseja.”
Jannes soltou um resmungo baixo que poderia talvez ter sido interpretado como um ‘obrigado’.
“Ah! Ah! Senhor Jannes, espera!” Mipik gritou de repente. “Aqui, aqui!”
Jannes parou e virou-se rapidamente. “O que foi?”
A kobold estava apontando para uma mancha meio rosada na parede de pedra.
“É quartzo! Quartzo significa ouro!” Mipik soava animada. “Quase sempre.” Ela acrescentou.
Jannes soltou outro suspiro. “Muito bem, dona lagarto, mas hoje nós estamos cavando no túnel 3 que é mais uns 5 minutos a frente, então… O que você está fazendo?!”
Mipik levantou com dificuldade a picareta pesada sobre sua cabeça e acertou a mancha rosa com força, fazendo cair algumas lascas de pedra no chão.
“Mina de ouro, sim? Mipik minera ouro.” Ela disse, batendo na parede novamente.
Jannes ficou olhando por alguns segundos enquanto a pequena criatura cavava. Ele realmente não esperava que ela fosse conseguir balançar a picareta daquele jeito. Mesmo assim, no ritmo em que caíam lascas a cada golpe, levaria uma semana até que Mipik abrisse uma fenda na rocha.
“Certeza que tem ouro aí?”
“Sim, sim! Certeza!” Mipik bateu contra a parede de novo. “Quase.”
Jannes soltou outro suspiro e caminhou até Mipik, parando com facilidade a picareta com uma mão só. A kobold olhou para ele, um pouco de confusão em seus olhos amarelos.
“Eu ajudo então.” Jannes tirou a picareta de suas mãos e ela deu o que parecia ser um sorriso cheio de dentes pontudos.


No fim do dia, Jannes e Mipik saíram da mina com um carrinho cheio de pedaços de quartzo, uma boa parte deles cobertos com pequenos pontos dourados. Madoc os parabenizou por terem encontrado um veio de ouro novo, e depois que Jannes havia pendurado seus equipamentos no escritório, o anão lhe deu um tapa nas costas e disse:
“Viu? Vocês não fazem uma boa dupla?”
Jannes acenou com a cabeça, contrariado, e voltou para casa resmungando o caminho todo.


A chuva caía com força lá fora. Jannes entrou em casa falando palavrões, tentando tirar a grossa camada de lama escura que havia grudado em suas botas. Seu paletó cinza, a roupa mais cara que ele tinha, estava completamente encharcado.
“Jan?” Uma voz o chamou de dentro da casa. Era sua esposa, Nadia. Jannes imediatamente se arrependeu de ter xingado tão alto. “Como foi lá?”
Jannes soltou um suspiro. “Uma droga. Que bom que você não foi, Nasha.” Jannes pendurou seu paletó no gancho ao lado da porta. “Foi muito triste.”
“Como está a família do Devin?”
“Péssimos. Ah, Nasha, Amery estava chorando tanto! E tudo isso por causa de quê? 6 moedas de prata e um par de sapatos de couro.”
Nadia abraçou seu marido, colando sua cabeça junto ao peito do homem alto. Ele a envolveu com seus braços molhados e apoiou o queixo na cabeça dela.
“Jan, eu estou com medo.”
“Eu sei.” Jannes disse e beijou sua testa. “Vamos sair daqui. Vamos pra um lugar menos perigoso.”
“Pra onde, Jan?” Nadia perguntou, seu rosto ainda apertado contra o peito dele. “A gente não pode mais voltar.”
Jannes não respondeu nada, apenas tirou um pedaço de papel molhado do bolso e o entregou a sua esposa.
“Ravnir? ‘Onde todo mundo é igual’.” Ela leu em voz alta.
O mundo ficou escuro de repente ao redor de Jannes, sua cabana desaparecendo de seu redor e sua esposa de seus braços. Apenas a voz dela continuava:
“Onde todo mundo é igual.”
Jannes olhou de um lado para o outro, confuso. Então ele virou para baixo, para seus braços. Sua pele estava aos poucos tornando-se mais escura e mais dura, até o ponto em que seus braços estavam cobertos por escamas pretas semelhantes às de um lagarto.
Jannes acordou de um salto. Após olhar para os lados e constatar que ainda estava em sua casa em Ravnir, muito mais confortável que a cabana em seu sonho, ele se acalmou. Um pouco de luz já entrava pela janela do quarto, sinalizando que já era hora de ir para a mina. Jannes sentou-se na cama e olhou para o lado. Nadia ainda dormia. Ele colocou uma mão sobre sua barriga proeminente e beijou-lhe a testa, então levantou-se e foi se vestir para partir.


Como sempre, lá estava ele, às cinco da manhã, na boca da mina. Como um relógio de corda. Mas dessa vez, Jannes não havia sido o primeiro.
“Bom dia, senhor Jannes!” disse Mipik com uma voz cansada quando o homem entrou no escritório de Madoc. Ela soltou um bocejo cheio de dentes pontudos. “Perdão, essa hora Mipik costuma dormir.” Ela explicou.
“Dia, Jannes.” O anão estava sentado atrás de sua mesa, tomando café, como sempre.
“Dia.” Jannes respondeu. “Por que o lagarto ainda está aqui? Achei que eles tivessem o turno da noite.”
“Eles tem.” Madoc respondeu. “É só mais hoje. Mipik me disse que vocês não viram a mina toda, e como vocês se saíram tão bem ontem, eu queria que vocês dois dessem uma olhada no resto da mina juntos.”
Jannes suspirou. “Como quiser, chefe.” Ele pegou sua picareta, notando com desgosto que junto a ela agora haviam várias picaretas menores, parecendo ter sido feitas para crianças. “Vamos.” Ele disse para Mipik e saiu andando pela porta, sem esperá-la.


Nas profundezas do túnel mais recente da mina, o túnel 3, Jannes e Mipik cavavam atrás de outro veio de ouro.
“Senhor Jannes!” Mipik parou de cavar por um segundo. “O senhor ouve isso?”
Jannes continuou batendo contra a parede de rocha. “Não.”
“Mipik acha que nós temos que sair.” Mipik soava preocupada. “Mipik acha que a viga de sustentação vai ceder.”
Jannes olhou pra viga de sustentação no teto – um gigantesco tronco de madeira que impedia que centenas de quilos de pedra caíssem sobre os mineradores.
“Impossível.” Jannes continuou cavando. “É um tronco de pinheiro inteiro.”
“Senhor Jannes, Mipik acha que…”
Mas a kobold não conseguiu terminar de falar. Um ruído alto de madeira quebrando ecoou pela mina, e Jannes imediatamente deixou cair sua picareta: Uma grande rachadura havia se formado na viga de sustentação.
“O túnel vai desabar!” Jannes gritou, mas já era tarde – a viga começava a envergar. Jogando sua picareta no chão, Jannes segurou o tronco com as duas mãos.
Poeira caia do teto e o barulho de madeira estalando soava mais alto. Cada músculo do corpo de Jannes estava retesado, tentando segurar centenas de quilos de rocha para que não caíssem diretamente sobre ele. O homem se virou para Mipik, que parecia assustada num canto do túnel.
“O que você está esperando?!” Jannes gritou. “Saia daqui! Avise pros outros!”
“Senhor Jannes, o teto vai cair, o senhor não pode ficar.”
“Se eu soltar essa viga, nós dois morremos, lagarto burro!” Jannes gritou. “Vai logo, eu não vou aguentar muito! Diga pra Nadia que eu a amo.”
“Mas senhor Jannes…”
“Vai logo!” Jannes soltou um berro, sentindo que suas pernas estavam prestes a ceder.
Mipik virou suas costas e, soltando sua picareta, começou a correr à toda velocidade na direção da saída da mina. Jannes esperou até não conseguir mais ver a ponta do rabo da kobold e então mais alguns segundos, até que não aguentou mais e soltou a viga.
O peso da terra acima caiu sobre Jannes, e as pedras o soterraram.


Jannes acordou, sentindo uma coisa quente escorrendo pelo canto da cabeça. Todo seu corpo doía como nunca havia doído antes. Estava escuro. Demoraram alguns segundos até ele se lembrar do que havia acontecido. ‘Então esse é o Jardim dos Ossos?’ Jannes pensou.
“Senhor Jannes! Senhor Jannes!” Uma voz familiar o chamava.
“Mipik?” O minerador mal conseguia distinguir o rosto reptiliano de Mipik na escuridão da mina. Pelo menos ele sabia que não estava morto agora. “Eu não te disse pra sair daqui? Vá chamar ajuda!”
“Senhor Jannes, se Mipik for, vai levar mais de uma hora até Mipik voltar com ajuda. Senhor Jannes pode morrer nesse tempo.”
“O teto ainda pode cair de novo, lagarto burro! Você não tem medo de morrer?! Vai embora!”
“Mipik sabe, Mipik sabe!” Agora Jannes conseguia mais ou menos ver o que ela estava fazendo – pegando pedras e jogando-as para longe. Ela estava tentando desenterrá-lo? “Mas Mipik não pode deixar senhor Jannes sozinho! Se senhor Jannes morre, filhote cresce sem pai. Filhotes de Mipik adultos já, filhotes sabem se cuidar, mas filhote de senhor Jannes não!”
“Mipik, eu estou te implorando!” Jannes agora parecia menos irritado e mais desesperado. “Você ainda pode sair daqui. Me deixe pra trás.”
“Não!” Mipik havia pego a picareta de Jannes e a usava como alavanca para mover pedras mais pesadas. “Na tribo, ninguém deixa outro para trás!”
“Não estamos na porra da sua tribo e eu não sou uma bosta de um kobold sujo! Sai logo daqui!”
“Não! Senhor Jannes está errado!” Mipik continuava jogando pedras pra longe com mais velocidade. “Tribo significa que todo mundo é igual! Tribo significa que todo mundo se ajuda. Ravnir é tribo de senhor Jannes e tribo de Mipik também.”
O sonho daquela manhã voltava à mente de Jannes. ‘Onde todo mundo é igual.’
“Vamos, senhor Jannes! Não desiste tão fácil! Senhor Jannes é grande, então faz força!”
“Mipik, eu acho que quebrei as costelas! Eu não consigo.”
“Senhor Jannes consegue sim!” Mipik movia as pedras tão rápido quanto podia. “Mipik consegue, então senhor Jannes consegue também. Pense em sua companheira e em seu filhote.”
Jannes fez uma força. Com algum esforço, ele conseguia mover os braços. Ele tentou colocá-los embaixo do corpo para levantar as pedras sobre ele, o que pareceu ter algum efeito.
“Filhote de senhor Jannes não vai crescer sem pai. Mipik não deixa!”


Jannes estava deitado em sua cama, olhando para o sol se pondo pela janela. Ele suspirou, olhando para seu corpo enfaixado. Sete costelas quebradas, fraturas múltiplas nas duas pernas, ombro esquerdo deslocado, bacia quebrada e pulmão esquerdo colapsado, ferimentos múltiplos nos órgãos internos… O clérigo que o atendeu disse que era um milagre que ele tivesse sobrevivido, e que se tivesse demorado mais uma ou duas horas para ser atendido, a hemorragia interna teria o levado com certeza.
E tudo que Jannes conseguia pensar era em como estava causando um terrível inconveniente para a pobre Nadia, tão tarde na sua gravidez.
“Jannes? Jannes!” Madoc, sentado num banco ao lado da cama estava tentando chamar sua atenção.
“Hm?” Ele se virou para encarar o anão. “Desculpe, chefe. O que foi?”
“Você pede pra eu explicar como as coisas estão na mina e depois se distrai? Francamente, Jannes, você não era assim quando eu te conheci.”
“Desculpe, chefe. Pode continuar.”
“Então, seu acidente virou assunto na vila. Está todo mundo falando como você salvou Mipik.”
“Eu que salvei Mipik? Como assim?”
“Ela disse para todo mundo que você segurou a viga assim que ela começou a quebrar. Francamente, tem certeza que seu pai não era um ogro? Enfim, Mipik disse que se não fosse por você, ela não teria tempo de fugir das pedras e teria sido soterrada também.”
“Não senhor, foi ela que voltou pra me salvar. Sem ela eu teria morrido.”
“Acho que vocês dois realmente formam uma boa dupla então.” Madoc olhou pela janela. Jannes se virou para olhar também. Quase noite.
“Os kobolds vão trabalhar hoje?” Jannes perguntou.
“Sim, sim.” O anão respondeu. “Mipik já assumiu como supervisora.”
“E como eles estão?”
“Muito bem. Sabe, no começo eu achei que fosse haver briga porque kobolds e raças normais se estranham muito.” Madoc passou a mão pela sua barba. “Mas ter eles na mina é uma vantagem para todo mundo – O conselho de Ravnir aumentou o salário, o número de acidentes diminuiu e a produção aumentou. Acho que funciona bem porque cada um tem sua função, sabe? Os kobolds são pequenos então eles conseguem fazer túneis menores, mas como são fracos precisam de alguém para abrir os buracos e colocar as vigas e levar as pedras até a superfície. Então é, acho que kobolds e humanos se complementam.”
‘Que coisa mais estranha de se dizer.’ Jannes pensou. ‘Acho que só aqui em Ravnir uma coisa dessas é possível.’
“Bem, eu tenho que ir, Jan.” O anão se levantou do banco. “Se eu demorar muito, a patroa vai achar que eu estou bebendo por aí. Melhore logo, viu? Aquela mina não funciona direito sem você por lá.”
“Besteira, chefe, funciona bem demais.” Jannes deu um pequeno sorriso enquanto o anão saía pela porta. O minerador resolveu dormir. Fechou os olhos, mas os abriu novamente ao ouvir um barulho vindo da porta.
“Senhor Jannes, eu posso entrar?”
Pela porta entreaberta, era possível ver o rosto reptiliano de Mipik. Jannes riu.
“Acho que passamos um pouco do ponto de usar ‘senhor’, não acha, Mipik? Entre, vamos.”
“Se você acha melhor, Jannes.” Mipik entrou e sentou-se com alguma dificuldade no banco, um tanto alto para ela.
“O que houve com você? Você está falando bem melhor agora.”
“Ah, eu andei treinando! Desde que eu vim para Ravnir, eu aprendi muitas outras coisas, sim.” Mipik sorriu, mas rapidamente ficou séria. “Você vai ficar bem, Jannes?”
“Isso daqui? Isso não é nada.” Jannes estalou seu pescoço. “Em uns meses eu volto pra mina, você vai ver.”
“Eu espero que sim. E sua esposa, como vai?”
“Pobre da Nadia, tomou um susto tão grande…”
“Eu tenho certeza que sim. Eu ia dizer para ela que você a ama, mas achei que seria melhor se você falasse pessoalmente.” Mipik riu um pouco.
“É.” Jannes sorriu. Depois de alguns segundos de silêncio, ele disse: “Mipik… Desculpa por ter te tratado mal. Obrigado por me salvar.”
“Que é isso, Jannes!” A kobold fez um gesto de desconsideração com a mão. “Eu só fiz o que qualquer um faria. É dever de um cidadão ajudar o outro, não é? E você me salvou também, eu não podia te deixar ali.”
“É, acho que sim.”
Mipik se levantou e espreguiçou-se. “Aiai, eu dormi pouco esse dia. Mas é isso, Jannes, tenho que ir para a mina agora. Outro dia eu passo para te visitar, tudo bem? Quero conhecer seu filho logo, viu?”
“Não tem problema nenhum. Você é de casa.”
Mipik começou a andar na direção da porta e quando saiu puxou a maçaneta para fechá-la, mas foi interrompida:
“Ei Mipik, antes de você ir…” Jannes disse, apontando para ela com seu braço direito, menos ferido que o esquerdo. “Você por acaso sabe o que uma madrinha faz?”

View

I'm sorry, but we no longer support this web browser. Please upgrade your browser or install Chrome or Firefox to enjoy the full functionality of this site.